'Teletema' foca as trilhas sonoras da teledramaturgia nacional entre 1964 e 1989

'Teletema' foca as trilhas sonoras da teledramaturgia nacional entre 1964 e 1989

Livro conta curiosidades e traz depoimentos de produtores, artistas e autores

Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2014 | 03h00

“A telenovela não é literatura nem subliteratura, é um produto industrial”, disse certa vez Glória Magadan, a principal autora da TV Globo em seus primórdios. E essa indústria gerou uma filial que até hoje dá lucros: as trilhas sonoras. Essa história está bem contada no primeiro volume de Teletema, livro escrito pelo jornalista Guilherme Bryan e pelo autor de novelas Vincent Villari, que será lançado neste sábado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, às 15h30, como parte do evento Vira Cultura.

O projeto começou quando Bryan escrevia Quem Tem Um Sonho Não Dança, sobre a cultura jovem dos anos 1980. Durante a redação do livro, no início dos anos 2000, o jornalista percebeu que a teledramaturgia havia sido um veículo importante na divulgação do pop/rock nacional que emergia no período. Por meio de uma amiga em comum, conheceu Villari, que coleciona trilhas de novela e o ajudou na pesquisa. 

'Teletema' (Antonio Adolfo/Tibério Gaspar) fez parte de 'Veu de Noiva' (1969)

“Fui percebendo que por meio das trilhas era possível contar a história da música ouvida no Brasil nos últimos cinquenta anos. Além disso, vi que a relação entre trilhas e novelas foi o primeiro cruzamento de mídias que ocorreu no País”, diz Bryan, que logo convidou Villari para escrever Teletema. Neste primeiro volume, todas as trilhas de novelas, séries e minisséries lançadas em disco entre 1964 e 1989 têm seu repertório – e, em alguns casos, conceito – detalhado. 

Os autores entrevistaram produtores, autores de novela e artistas que tiveram suas carreiras impulsionadas pelas trilhas. Um deles é Djavan, contratado pela Som Livre em 1973. A primeira gravação de sua vida, Qual É?, foi feita para a trilha composta por Marcos e Paulo Sérgio Valle para Os Ossos do Barão. Dois anos depois, ele ficaria conhecido nacionalmente ao registrar Alegre Menina para Gabriela. Cantores internacionais como Elton John e B. J. Thomas também ficaram conhecidos no Brasil pela inclusão de músicas em folhetins.

'Alegre Menina' (Dori Caymmi/Jorge Amado) fez parte da trilha de 'Gabriela' (1975)

Para Villari, o livro também serve para revelar descompassos e críticas dos envolvidos em relação a repertório das tramas. O autor de Dancin’ Days, Gilberto Braga, admite seu descontentamento com as músicas escolhidas por Guto Graça Mello para embalar a trajetória de Júlia Mattos (Sônia Braga) após deixar a prisão. “Quando ouvi o disco pela primeira vez, levei um susto. Só tinha três músicas que eu achava adequadas”, revela. “A partir daí, Gilberto passa a se envolver mais com as trilhas, assim como o Silvio de Abreu. Todos hoje fazem isso, mas era comum essa seleção ficar restrita ao produtor. Eles foram os primeiros a ver que era essencial participar do processo”, ressalta Villari. 

'Dancin' Days' (Ruban/Nelson Motta) foi tema de abertura da novela homônima levada ao ar em 1978

O segundo volume, de acordo com Bryan, será lançado em dois ou três anos, abrangendo o período de 1990 a 2014. “Para a teledramaturgia, a importância da música é fundamental. Sempre foi assim. E é uma pena que não haja uma bibliografia extensa sobre o assunto. Isso é algo que precisa ser corrigido, porque é o maior patrimônio da nossa indústria cultural”, reforça Villari. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.