Teixeira Coelho quer participação dos artistas no Masp

Quase dez anos depois de ter tido seu último curador, o historiador Luiz Marques, o Museu de Arte de São Paulo(Masp) anunciou hoje a escolha do crítico José Roberto Teixeira Coelho, professor da USP, como seu novo curador-coordenador. É o primeiro passo no sentido da profissionalização do museu, conforme antecipou ao Estado há um mês o cirurgião Adib Jatene, presidente do conselho deliberativo do Masp.A escolha de Teixeira Coelho, que já dirigiu o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, aconteceu depois de o Masp passar pela mais grave crise de sua história, com o aparecimento de grandes dívidas com serviços, como o do fornecimento de energia elétrica - o que levou a AES Eletropaulo a cortar a luz do museu. A dívida da eletricidade, de R$ 3,4 milhões , foi renegociada. Há outra, de R$ 4 milhões com o INSS, que é questionada na Justiça.Além de exigência dos conselheiros, a escolha adveio de pressões da sociedade, manifestadas em ações de protesto, artigos, entrevistas, debates, correntes de e-mails e outras. Quase toda a comunidade artística foi unânime em demonstrar insatisfação com os rumos administrativos do museu e com a concentração das decisões nas mãos do presidente da instituição, o arquiteto Júlio Neves.?O que espero é uma maior participação da comunidade artística, que será chamada a participar, e um diálogo entre o setor público, o terceiro setor e a iniciativa privada?, disse o novo curador, que promete empenhar-se para criar condições também para o ?surgimento de novos artistas? nas atividades do museu.A escolha não surpreende. Teixeira Coelho foi uma das poucas personalidades do mundo das artes que não fez críticas pontuais ao Masp durante a crise que resultou no corte de luz do museu, em maio. ?As pessoas estão preocupadas com o Masp, mas o problema é muito maior, abrange todo o sistema de museus do País. A crise do Masp é aguda, envolve questões internas. Não temos uma rede de segurança para os museus, cada um vive por si?, ele declarou, na ocasião. Sua gestão frente ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) é muito elogiada. Amigo de Mônica Serra, seu nome chegou a ser cogitado para a Secretaria Municipal da Cultura, quando José Serra (PSDB) ganhou a disputa em 2004. Mas o curador apressa-se a dizer: apesar da proximidade, não tem nenhum tipo de vinculação ou militância política.O Masp também terá eleições de sua diretoria este ano. Há uma expectativa de que, após 12 anos no cargo, Júlio Neves deixe o cargo para uma chapa de consenso, com um nome novo à frente.

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