Tiago Queiroz/AE
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Tehching Hsieh faz performance com base histórica

Taiwanês vem à Bienal com a sua segunda 'Performance de Um Ano'

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2012 | 03h09

O taiwanês Tehching Hsieh raspou seus cabelos em 11 de abril de 1980 e iniciou a que seria sua segunda Performance de Um Ano, apresentada agora e integralmente na 30.ª Bienal de São Paulo. Naquela época, já vivendo por seis anos como imigrante ilegal nos EUA, o artista vestiu um macacão de operário e registrou em um relógio de ponto cada hora de 365 dias, até 11 de abril de 1981. "É apenas uma obra sobre tempo e vida", diz Tehching, um artista já referencial, histórico, mas avesso a ser "categorizado" na linhagem da arte performática - apesar disso, é chamado de mestre pela cultuada Marina Abramovic, por exemplo.

Nos registros de sua obra na Bienal, vemos apenas a transformação de Tehching Hsieh por meio de seus cabelos, que crescem no ciclo de um ano, o tempo em que "a Terra faz seu círculo ao redor do Sol", afirma o artista, de 61 anos. Entre as cinco Performances de Um Ano que promoveu entre 1978 e 1986, Tehching já ficou trancado em uma cela criada em seu estúdio com uma amiga, mas proibido de tocá-la ou conversar; como também andou por um ano como mendigo por Nova York. Encerrou a série com a performance de "não fazer arte", "não falar de arte" e a de "não ir a galerias e a museus" entre 1985 e 86.

A peça que está na 30.ª Bienal é, assim, histórica, apresentada por fileiras de fotografias diárias que serviram como registro da ação do artista, os cartões e o próprio relógio de ponto; os documentos originais do trabalho e uma projeção em 16 mm que mostra de forma acelerada a passagem do tempo por meio de retratos de Tehching, que, enfim, se confessa feliz com a oportunidade de agora ficar mais conhecido na América do Sul.

A performance tornou-se um dos eixos especiais da 30.ª Bienal de São Paulo não apenas pela presença de Tehching Hsieh. Há ainda participações ou apresentações de peso dessa arte com salas de obras como os happenings históricos do norte-americano Allan Kaprow (1927-2006), que na década de 1950 propôs ações simples e aleatórias que envolviam o público; e do holandês Bas Jan Ader, que morreu em 1975 no Oceano Atlântico quando realizava a performance In Search of the Miraculous. Outros destaques ainda são o islandês Sigurdur Gudmundsson, a italiana Simone Forti (que terá suas ações corporais apresentadas por dançarinos, no piso térreo da Bienal) e o checo Jirí Kovanda, de verve bem-humorada.

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