Tecnologia será marca para mostrar um Gonzaga vivo

A exemplo do Museu da Língua Portuguesa, o uso da tecnologia interativa deve ser uma marca forte também no Museu Cais do Sertão. A equipe técnica responsável por estas ferramentas foi a mesma que montou o Museu da Língua e o Museu do Futebol, em São Paulo. Desde a entrada, fica evidente que o conceito ali não é o dos museus clássicos. "O interesse não é ter o maior acervo físico de Gonzaga, teremos sim muita interação", diz Gilberto Freyre Neto, responsável pela Fundação Gilberto Freyre, convidada pelo governo estadual para tocar o projeto.

RECIFE, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h14

No andar superior do Módulo 1 haverá doze baias. Em seis delas, o visitante poderá cantar seu baião de Gonzaga em um karaokê virtual, gravá-lo e compartilhar sua versão na hora, pelas redes sociais. Ao lado, samplers irão possibilitar ao fã de Gonzaga criar sua faixa com mais elaboração. Uma sala de controle tecnológico de ponta estará a serviço dos registros sonoros.

Não é por acaso que o empreendimento está sob os cuidados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, e não da Secretaria de Cultura. "Trata-se de um empreendimento de economia criativa, que vai dialogar com outros equipamentos do País" , diz o secretário da pasta, Márcio Stefani. Segundo ele, o museu pretende estabelecer rede com outros equipamentos do Estado, para abastecer e ser abastecido com material compatível ao apresentado ali.

Há implícita também uma tentativa de diálogo entre dois mundos culturalmente não tão próximos assim: o sertão árido de Gonzaga e a capital moderna e turística da zona portuária e das praias recifenses.

A estrutura do módulo 2, ainda sem data prevista para inauguração (o caminhar das obras indica à Secretaria que será no ano que vem) lembra o Masp, de São Paulo. Será um espaço maior do que o módulo 1, com 7 mil m² e um vão livre de 58 metros de extensão (o vão livre do Masp possui 70 metros). A intenção, com o espaço vazado, foi a de não interromper a vista para o Rio Capiberibe. As obras sofreram atrasos também por causa das fundações em um terreno complicado, um aterro com mais de 100 anos de existência erguido sobre uma região litorânea.

Os espaços internos terão auditórios, cafés e espaços para exposições. Segundo Isa, haverá espaços de sobra para aulas de música, que poderão ser acertadas em parcerias com a Secretaria da Educação.

A reta final do projeto faz os envolvidos refletirem sobre o Rei do Baião como potencial turístico. "Não estamos falando só de música. Além de criar um novo gênero, Gonzaga inventou moda, criou dança, é um universo que podemos trabalhar", diz Gilberto Freyre Neto. /J.MARIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.