Teatro X apresenta montagens de <i>Com Paixão</i> e <i>O Cobrador</i>

Determinação é algo que não falta ao grupo Teatro X, dirigido por Paulo Fabiano. Ele e seu grupo acabam de inaugurar o terceiro espaço teatral de sua trajetória. Os anteriores precisaram ser deixados por falta de apoio financeiro. O último deles, um porão na Praça Roosevelt, atualmente é gerido pelos Satyros e, felizmente, segue bastante movimentado.Quem for nesta sexta-feira, 13, à estréia de O Cobrador, transposição cênica do conto homônimo de Rubem Fonseca, dirigida por Paulo Fabiano, vai conhecer o novo Teatro X, que fica na Rua Rui Barbosa, entre o tradicional Teatro Sérgio Cardoso e o experimental Ágora. ?É uma boa vizinhança?, brinca Fabiano. O espaço já foi uma funilaria e estava fechado. ?É um galpão grande, de pé-direito alto, já temos um bar, reformamos, ainda queremos fazer mais obras, vai ficar bom. Não pude me conformar com a perda de um local para ensaiar, criar, promover encontros?, diz Fabiano.O Teatro X já abre suas portas com programa duplo. Com Paixão, criação do grupo a partir da obra O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, está em cartaz às quartas e quintas. E O Cobrador, nos fins de semana. Desde sua fundação em 1998, a linha de criação do grupo vem baseando-se, essencialmente, na adaptação de tragédias gregas, em peças como Prometeu Acorrentado, nas quais são criados diálogos, pontes, entre os heróis trágicos e os agentes e vítimas da violência contemporânea.Policarpo Quaresma ?Foi a partir de provocações de palestrantes convidados, para discutir com o grupo, que voltei o meu olhar diretamente para o universo urbano?, diz Fabiano. Assim, chegou a dois personagens que considera opostos, os criados por Lima Barreto e Rubem Fonseca. ?São dois movimentos distintos dentro do mesmo ambiente de descaso para com o ser humano?, diz Fabiano. ?Policarpo mantém dentro dele a esperança de transformar o País, enquanto o protagonista de O Cobrador nos leva à gênese da violência.?Policarpo é uma adaptação do original de Lima Barreto, romance cujo protagonista é um patriota até a raiz dos cabelos, que ora se mete na agricultura, ora no idioma, sempre querendo melhorar as condições de vida no País. ?Rubens já havia escrito uma peça a partir do romance. Nós voltamos ao romance e criamos novas cenas. O espetáculo tem ainda inserções de Dostoievski, entre outros autores, um mix de idéias.?Fabiano se diz apaixonado pelo conto de Rubem Fonseca desde que viu a famosa montagem de Beth Lopes, que recriava no palco a linguagem de quadrinhos. ?Não tentamos imitar, claro, fomos por outro caminho. Neste caso, não há adaptação, tentamos valorizar o texto, levado ao palco na íntegra, a cena é limpa. A cenografia trabalha com caixas dentro de caixas.? Paulo Fabiano e Rui Ricardo Dias se revezam no papel do cobrador. ?Seja no hospital, no banco, nas repartições públicas, a toda hora nos vêm o sentimento de sermos desrespeitados, o impulso que leva o personagem à violência. Nos dois casos, interessa discutir para qual ação prática nos leva a filosofia, a nossa forma de pensar.?Com Paixão. 60 min. 14 anos. Teatro X. Rua Rui Barbosa, 399, telefone 3283- 2780. 4.ª e 5.ª, 21 h. R$ 15. Até 30/6O Cobrador. 60 min. 16 anos. Teatro X. 6.ª e sáb., 21 h; dom., 20 h. R$ 20. Até 30/6

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