Teatro político ganha fôlego ao eleger cidade como tema

Fazer uma arte que se pretenda engajada, que tencione ser instrumento de ação social, de transformação política. Os anos parecem tornar a tarefa cada vez mais difícil. Como levar tal ambição adiante em um mundo em que todas as certezas parecem ter se tornado fluidas?

AE, Agência Estado

19 de abril de 2012 | 10h13

Talvez o caminho esteja em substituir as respostas pelas perguntas. Distanciar-se um tanto de macroestruturas para olhar o que está mais próximo: a cidade, o bairro, a rua em que se vive. Em seu novo espetáculo, a Cia. São Jorge de Variedades toma esse rumo.

Com estreia marcada para o próximo dia 4, "Barafonda" é um mergulho do coletivo na história da Barra Funda. Consumiu quase dois anos de pesquisa. Surge como uma montagem itinerante, que começa à margem do Minhocão e conduz o público por cerca de 1,7 quilômetro, até chegar à linha do trem e ao antigo Largo da Banana. "Queremos trazer as pessoas de uma maneira mais festiva, inclusive abrindo espaço para as interferências que extrapolam a cena", comenta a atriz Georgette Fadel.

Mas esse olhar voltado para o espaço urbano não é exclusividade da Cia. São Jorge. Ao contrário. Insinua-se em uma série de trabalhos da safra recente. No dia 27, o Teatro da Vertigem apresenta trechos do projeto que deve estrear em junho: uma investigação sobre o Bom Retiro, foco de fluxos migratórios dentro da cidade.

O novo espetáculo do Folias, atualmente em cartaz, também localiza-se no mesmo espectro. Em "A Saga Musical de Cecília...", o grupo reinventa seu lastro militante tematizando justamente o seu entorno. A partir do percurso de quatro personagens, realiza um amálgama entre sua trajetória e a história da Santa Cecília, onde está sua sede.

Refletir sobre a cidade parece ter se tornado um meio de reinventar o teatro político. Ou, ao menos, de equacioná-lo de outra maneira. Nas relações de micropoder que regem o cotidiano existe alguma pista para entendermos a complexidade e as contradições de uma época.

"É como se houvesse um movimento de retomada do espaço urbano, que foi retirado das pessoas", observa a crítica teatral e professora da USP Sílvia Fernandes. "Essa questão dos condomínios fechados, dos shopping centers, das áreas privadas. É a contra face disso que o teatro está se mobilizando." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

BARAFONDA

Pça. Marechal Deodoro (cruzamento da Av. Angélica com a Rua das Palmeiras). Mais inf.: (011) 3824-9339. Estreia dia 4/5, 15h. Até 22/6.

PROJETO BOM RETIRO

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro). Tel. (011) 3221-4704. Dia 27/4, 21h. Grátis. www.culturajudaica.org.br

A SAGA MUSICAL DE CECÍLIA....

Galpão do Folias (Rua Ana Cintra, 213). Tel. (011) 3361-2223. 5ª a sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 30. Até 3/6.

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