Teatro Oficina luta por espaço

Um diálogo entre os representantes do Teatro Oficina e os do Grupo Silvio Santos é a melhor solução para o impasse criado com a construção do Bela Vista Festival Center, um centro de compras e lazer a ser construído no próximo ano. A solução pacífica foi apresentada pelos representantes do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb), durante uma reunião aberta, realizada na noite de quinta-feira, no Teatro Oficina."O entendimento é o melhor caminho, pois o projeto já recebeu laudo favorável", comentou José Eduardo Lefrévre, arquiteto da Emurb. "Como é viável a realização de obras ao redor do Oficina, a mobilização das pessoas interessadas em busca de uma negociação seria a melhor solução", completou José Guilherme de Castro, representante do Condephaat. A reunião, que atraiu cerca de 500 pessoas, foi convocada pelo diretor José Celso Martinez Corrêa, indignado com o projeto lançado oficialmente pelo Grupo Silvio Santos na quarta-feira, orçado em R$ 75 milhões e com previsão de 55 mil metros quadrados de área construída, divididos em oito pavimentos. A obra, aprovada pelo Condephaat e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), prevê a construção de teatros, salas de cinema multiplex, parque e restaurantes temáticos, iniciando no próximo ano. "A forma de preservação do Condephaat é institucional, ou seja, ligada às novas leis que acabam cerceando outras leis, as do ponto de vista cultural", disse Castro.A observação irritou Zé Celso que, em protesto ao empreendimento cultural, acendeu uma fogueira no centro do Oficina e convidou personalidades como o músico José Miguel Wisnick. "Esta visão é pessimista", comentou. "O Condephaat tem poder de rever a aprovação ao projeto". Zé Celso, que está reunindo pareceres de advogados e arquitetos para entrar com uma representação no Ministério Público estadual contra o projeto do Bela Vista Festival Center, argumenta que o Oficina, por estar tombado desde 1982, tem sua área envoltória protegida em um raio de 300 metros. "Existem várias formas de tombamento de um imóvel", contesta o arquiteto Rodolpho Dini, diretor do Escritório Técnico Júlio Neves, responsável pelo projeto. "O caso do Oficina não se enquadra nessa área envoltória que protege o patrimônio". Zé Celso afirma também que o centro cultural vai impedir a entrada de luz solar na lateral do teatro, um dos principais aspectos de sua construção. Os responsáveis pelo projeto rebatem dizendo que haverá um recuo mínimo de sete metros e, naquele espaço, será construído um jardim.Uma conciliação, proposta por Lefrévre, seria a construção, na área em frente do teatro, sob o elevado Costa e Silva, de salas para oficinas de cenografia e figurinos. "Como a preservação da área é obrigação do Grupo Silvio Santos, nada melhor do que realizar essa obra", disse, referindo-se ao projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, premiado hoje pela Fundação Mies Van der Rohe, de Barcelona, pela restauração da Pinacoteca do Estado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.