Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Teatro Municipal ganha Praça das Artes

Com cerca de 28.500 m², o complexo vai reunir todos os segmentos artísticos da instituição

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES - O Estado de S.Paulo,

05 de dezembro de 2012 | 02h11

Criado para receber companhias e astros estrangeiros, o Teatro Municipal foi inaugurado em 1911 sem que tivesse uma orquestra, um coral ou um corpo de baile. A passagem dos anos serviu para corrigir essa falha: a casa lírica há muito deixou de ser mera sala de apresentações, para se transformar em centro produtor de espetáculos. Até agora, porém, não havia um espaço destinado a esses músicos e bailarinos. Nem aos ensaios de suas criações. Tampouco às escolas de música e dança que surgiram ligadas à instituição.

Trata-se de uma lacuna que a inauguração da Praça das Artes começa hoje a suprir. Com cerca de 28.500 m², o complexo fica logo atrás do Teatro e ocupa todo o quarteirão formado pelas Ruas Conselheiro Crispiniano, Formosa, Avenida São João e Praça Ramos de Azevedo.

Nessa primeira fase, serão entregues espaços reservados às Escolas de Dança e de Música, o Conservatório Dramático e Musical, edifício centenário que foi restaurado, e um estacionamento para 200 veículos. "Nunca alunos e profissionais do Teatro dividiram um mesmo espaço. Acredito que isso irá criar uma nova dinâmica", diz o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil.

Na segunda etapa, que deve levar pelo menos mais um ano para ser concluída, serão abertos os prédios que irão abrigar os corpos artísticos do Municipal, ou seja, Orquestra Sinfônica Municipal, Orquestra Experimental de Repertório, Balé da Cidade, Coral Lírico, Coral Paulistano e Quarteto de Cordas.

Orçado em R$ 136 milhões, o conjunto arquitetônico prevê ainda a construção de uma área ao ar livre, com abertura para o Vale do Anhangabaú, que receberá o monumento em homenagem ao compositor Giuseppe Verdi, que estava instalado próximo do Municipal, além de um bar e um jardim.

A expectativa da Secretaria de Cultura é que a Praça das Artes marque uma nova fase para o Teatro. "A construção de um anexo para o Municipal é uma ambição de mais de 30 anos", observa Calil. Ao transferir os ensaios de óperas e concertos para as novas dependências - que reproduzem as medidas e a acústica do teatro -, espera-se ainda desobstruir a pauta do Municipal. O que tornaria possível ampliar sua capacidade de receber montagens.

Uma nova fase para o Teatro poderia irradiar-se também para seu entorno. Pretende-se que a construção do complexo, realizada com recursos do Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano), sirva como impulso para a recuperação da região central.

"A praça pode funcionar como um eixo de revitalização para o centro", crê o secretário. Intervenção urbanística de vulto, o projeto, idealizado pelo arquiteto Marcos Cartum, foi desenvolvido pelo escritório Brasil Arquitetura, de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz.

Para que a obra fosse executada, um grande número de pequenas edificações teve de ser demolido. "Eram construções de péssima qualidade. Um imenso desperdício do potencial construtivo da área", observa Cartum. O resultado alcançado é uma mescla de prédios de feição contemporânea com relíquias recuperadas, caso do Conservatório Dramático e Musical e da fachada do antigo Cine Cairo.

Outra preocupação dos arquitetos foi integrar o conjunto completamente à rua. Ao invés de se fechar ao tumulto do centro, a Praça se abre para acolher o entorno. Em uma cidade embrutecida, que perdeu seus espaços de encontro e convivência, não é pouca coisa.

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