Teatro Municipal fecha no primeiro semestre para reforma

O Teatro Municipal de São Paulo será fechado durante o primeiro semestre para uma série de obras de modernização do palco e restauração da fachada. Orçadas em R$ 24 milhões, a serem pagos por empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, as obras devem começar em meados de fevereiro e durar de quatro a cinco meses - o tempo exato depende do encerramento do processo de licitação, no dia 5 de fevereiro. Mas as reformas não serão apenas físicas. Segundo o diretor do teatro, maestro Jamil Maluf, já em fevereiro segue para a Câmara um projeto que prevê a transformação do Municipal em uma fundação de direito público. Maluf reforça o compromisso assumido no início de sua gestão, há dois anos, de transformar o Municipal em palco da ópera e do balé, com um número maior de produções. Para isso, no entanto, tem investido na reconfecção da infra-estrutura institucional do teatro. Criou uma central técnica de produção (que acaba de ganhar sede definitiva em terreno da Secretaria Municipal de Cultura na Marginal do Tietê) e participou da confecção do projeto da Praça das Artes que, localizada em terreno atrás do Municipal, vai abrigar salas de ensaios, bibliotecas e acervos, além das escolas municipais de música e bailado. E é nesse contexto, explica, que precisa ser entendido o projeto da transformação do teatro em uma fundação. "É uma reivindicação antiga", diz o maestro. "E levou tempo até que chegássemos a um projeto consistente. Eu poderia ter sentado com o secretário e criado um projeto, seria mais rápido. Mas, em um teatro como o Municipal, se você começa a impor coisas, não dura três dias no cargo. Preferimos envolver os artistas e o projeto que hoje está com o secretário Carlos Augusto Calil, para ajustes finais, é fruto de meses de discussões internas, das quais participaram todos aqueles que são os primeiros interessados no melhor funcionamento da casa. Isso foi importante para a criação de uma idéia que seja duradoura e não personalista, que não dependa de quem está à frente do teatro", diz. Deposita-se na criação da Fundação Teatro Municipal a esperança de solução para problemas antigos, dando a ele maior liberdade de gestão sem perder seu caráter público. Entre as propostas, está a contratação dos artistas dentro do regime da CLT. "Hoje, 80% dos nossos artistas são contratados temporariamente pelo sistema de cachês, não têm vínculo nenhum com o teatro, não têm férias, décimo terceiro. Isso acontece porque, com a morte dos músicos titulares, que entraram décadas atrás para o teatro por meio de concurso, as vagas são extintas. Então, para repor os cargos, criou-se o sistema de contratos temporários por meio de cachês. Só que a verba para pagar esses músicos sai do orçamento que temos para a programação e não da verba para pagamento de pessoal, o que acaba diminuindo a temporada", diz Maluf. Outras mudanças incluem ainda a reversão do dinheiro da bilheteria para o próprio teatro - hoje, o dinheiro vai para a Prefeitura e não pode ser automaticamente revertido para a programação. "A fundação vai permitir também que o teatro possa captar dinheiro de patrocinadores. Do jeito que está hoje, não podemos fazer isso, dependemos de associações sem fins lucrativos, que recebem o dinheiro pela gente. Evoluir para uma nova realidade significa, entre outras coisas, evoluir na relação com os patrocinadores. E a fundação vai nos permitir isso", completa o maestro. Modernização Durante as obras, os corpos estáveis do teatro (Sinfônica, Experimental de Repertório, Coral Lírico, Coral Paulistano, Balé da Cidade e Quarteto da Cidade) vão se espalhar por outros espaços da cidade. Segundo Maluf, o importante é seguir oferecendo ao público um referencial. Assim, cada série de apresentações seguiu para um espaço diferente. Os concertos matinais, realizados aos domingos, mudam-se para o Auditório Ibirapuera; os concertos noturnos da OSM ocupam o Teatro Cultura Artística nas noites de segunda; e o Balé passa a se apresentar no Teatro Sérgio Cardoso, além de visitar outros teatros da cidade. Quanto à temporada de concertos, ela está dividida em séries. No auditório, a Experimental de Repertório fará concertos temáticos dedicados a compositores e a OSM inicia a série Panorama do Mundo, com autores da União Européia (entre outros). Já no Cultura Artística, a OSM fará concertos dedicados às grandes obras sinfônico-corais, como o Stabat Mater, de Rossini, e o Elias, de Mendelssohn. A programação do primeiro semestre já está definida, mas a da segunda metade do ano, assim como as óperas a serem encenadas, serão anunciadas apenas quando se tiver uma noção mais precisa de quanto vão durar as obras. "Pedimos paciência ao público. Estamos preparando o teatro para uma nova vida, para o seu centenário, daqui a cinco anos. A reforma é o mais importante neste momento. O que é melhor? Fazer três óperas agora ou criar a estrutura que vai permitir, no futuro, que o teatro tenha meios técnicos e financeiros para bancar uma temporada mais ampla? Vamos ficar sem óperas no primeiro semestre, mas, depois das obras e da instalação das novas varas de cenários e iluminação, poderemos ter dois títulos encenados simultaneamente. O Municipal não cede seu espaço para as produções dos outros, ele produz seus próprios espetáculos. É isso que faz dele um espaço da ópera. Mas, para que isso aconteça, é preciso estrutura." Nesse sentido, tantos as obras de modernização quanto a transformação institucional fariam parte de um único plano. "Não podemos perder tempo. Há hoje vontade política do secretário Calil e da Prefeitura para repensar o Municipal. A prioridade este ano é aprovar o projeto para poder instituí-lo ao longo do ano que vem", diz Maluf, que anuncia apenas um plano para a reabertura: a realização de um festival Rossini, com e encenação de óperas como L?Italiana in Algeri e La Cenerentola.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.