Teatro Municipal, com restaurante e mesa na calçada

Um restaurante comandado por um chefe requintado em pleno Teatro Municipal, com mesas na calçada e vista para a Praça Ramos, com suas esculturas e fonte recuperadas, pode virar programa paulistano em maio. Essa é a intenção da diretora do teatro, Lúcia Camargo. "O projeto está em estudo pelo Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da Secretaria Municipal de Cultura", afirma. Para ela, a revitalização do centro passa pela criação de pontos de animação como o restaurante. "A ocupação afasta a marginália", observa Lúcia. O local escolhido para a nova casa é uma ampla sala com colunas, que já foram banhadas a ouro, afrescos no teto e paredes e vitrais coloridos, do lado direito da entrada do Municipal, no térreo. As portas ficam atrás da escultura Diana, de Victor Brecheret. "Atualmente há um café ali em dia de espetáculo. Mas depois dará lugar ao restaurante, que poderá funcionar independentemente da programação, abrindo do almoço ao jantar. Vai ser uma boa opção no centro", diz a diretora do Municipal. O plano é que o estabelecimento se torne referência gastronômica da cidade e não apenas mais um restaurante do centro. As mesas devem ir além do corpo da sala, tomando também a varanda lateral coberta, hoje protegida por grades, e a calçada, que seria ampliada com alterações no tráfego local. Em vez de todos os tipos de veículos, vindos da Rua Xavier de Toledo, circularem pela lateral direita do teatro para chegar à Avenida São João, o acesso seria permitido só para ônibus. "De preferência elétricos", comenta Lúcia. Essas interferências no trânsito estão sendo estudadas pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). Proteção - Planeja-se ainda proteger as mesinhas externas com grandes guarda-sóis. "A área a ser ocupada na calçada pode ficar definida por floreiras ou cercas-vivas para dar certa privacidade aos freqüentadores." Também terá de ser providenciado reforço na segurança. O espaço já foi ocupado exatamente dessa maneira nos anos 20. Fotos da época mostram as mesas quadradas e as cadeiras estofadas com encostos de madeira trabalhados, instaladas na sala maravilhosamente decorada, e grande número de mesinhas e cadeiras do lado de fora. "Era um ponto de encontro tradicional", salienta Lúcia. Com o tempo, fechou. "Ao assumir o teatro, este ano, encontrei a área fechada e com móveis guardados." A sala perdeu muito de seus detalhes, em especial das pinturas descobertas sob várias camadas de tinta na última reforma, no fim dos anos 80, na gestão Erundina. "Os especialistas estudam duas possibilidades de recuperação: fazer o restauro, deixando o lugar exatamente como era na inauguração, ou manter o espaço como está. Vai depender dos recursos", diz a diretora do DPH, Leila Regina Diegoli. Atualmente só se vêem partes dos desenhos e remendos em argamassa. "Mas eles estão protegidos por um produto para evitar danos." Há marcas ainda de um antigo mezanino, que acabou removido nos anos 80. Estrutura - A retomada do restaurante já foi projeto das administrações Erundina, Maluf e Pitta. Nunca se concretizou. Mas a diretora do Municipal garante que, se os estudos forem favoráveis, brevemente deverá ser aberta licitação. "Em troca do uso, o vencedor terá de oferecer uma porcentagem do faturamento para o teatro", explica. A decoração pode recuperar a atmosfera da década de 20 ou seguir uma proposta arrojada, modernosa. Vai depender dos detalhes da licitação. O futuro proprietário do restaurante já vai contar com a cozinha semi-industrial no subsolo. "Ela foi construída na última reforma do Municipal", afirma a diretora do DPH. Também está pronta para funcionar, segundo arquitetos do teatro, pois apresenta até coifas e elevadores para transportar pratos.

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