Teatro infantil ganha R$ 1 milhão

A produção teatral destinada à criança e ao adolescente continua amparada pela iniciativa privada. A Panamco Brasil, maior fabricante de Coca-Cola no País acaba de criar o Prêmio Panamco no Teatro, que, até o ano passado, recebia também patrocínio da Coca-Cola. O Prêmio Coca-Cola existiu por 12 anos no Rio e por quatro anos em São Paulo. Sob críticas da classe artística, saiu de cena com a justificativa de que a empresa quer agora voltar-se para o marketing social. A Panamco, empresa paulista, manteve o prêmio em São Paulo, mas o Rio ficou sem um de seus eventos mais tradicionais.Além do prêmio, a Panamco está criando também o Programa Panamco Leva ao Teatro - um novo projeto que apresenta gratuitamente a estudantes de uma comunidade carente espetáculos criteriosamente selecionados entre as opções em cartaz na temporada de 2000. A primeira peça já foi escolhida pelo júri: Anunciação. Segundo o presidente da Panamco Brasil, Jorge Giganti, há uma tendência mundial de as empresas assumirem sua responsabilidade social. "Queremos ocupar o nosso papel dentro da comunidade em que trabalhamos", afirma. "Nas nossas operações, em sete países, temos mais de 26 milhões de consumidores ou potenciais consumidores; assim sendo, queremos que eles entendam o nosso compromisso com essa comunidade, na qual todos convivemos".Como o público infantil e adolescente é parte fundamental dos consumidores de refrigerantes - no caso, a Coca-Cola -, Giganti acredita que nada melhor do que focar as atenções neles: "São a alma de nosso produto e, por isso, prioridade para nós". Segundo ele, uma forma gratificante de beneficiar o setor é incentivando o teatro infantil e juvenil. "É muito bom aproximar nossos consumidores mirins da dramaturgia e, principalmente, ajudar na sua formação".Pensando nisso foi que Giganti instituiu o projeto Panamco Leva ao Teatro. A cada três meses, o júri (o mesmo do prêmio, composto pelos jornalistas Dib Carneiro Neto, do Estado e Mônica Rodrigues Costa, da Folha, pelo ator Gerson de Abreu, pela diretora do núcleo de programas infanto-juvenis da TV Cultura, Bia Rosenberg; e pela atriz e diretora Wilma de Souza) reúne-se para escolher no máximo três espetáculos que estejam em cartaz. Feita a seleção, a empresa escolhe alunos de uma comunidade escolar carente para ver a peça no teatro. No entanto o objetivo do projeto não se restringe à ida ao teatro. A idéia é encaminhar a criança a esse universo lúdico, também por meio de reflexões no ambiente escolar. As peças recebem R$ 3.500,00 como estímulo. "Anunciação", peça já escolhida, tem roteiro e direção de Lincoln Rollim. Em cartaz no Teatro Pirandello, na Bela Vista, a peça, de 50 minutos de duração, é um trabalho que une as linguagens teatral e circense. Ela passou pelo Centro Cultural São Paulo e pelo Sesc Vila Mariana. Em parceira com o Instituto Coca-Cola, a Panamco criou ainda o Programa de Valorização do Jovem, no qual oferece patrocínio para cerca de 50 adolescentes em condições desfavoráveis (seja econômica ou psicológica) e, por isso, deixam de ir à escola. O programa dá condições para que eles se desenvolvam e, futuramente, colaborem com a educação em suas comunidades.As ações institucionais da Panamco incluem ainda parcerias com o Hospital do Câncer, a Estação Especial da Lapa (centro de apoio a deficientes) e o Hospital do Câncer da Escola Paulista de Medicina (Graacc). Na área ambiental, a Panamco mantém o projeto Reciclou-Ganhou, que promoveu a reciclagem de 250 toneladas de garrafas plásticas, vidro e latas de alumínio no ano passado. A empresa pretende aplicar R$ 1 milhão em todas suas ações de "responsabilidade social, seja na área cultural, social ou ambiental".

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