Teatro Eva Wilma abre com memórias da atriz

Imagine o privilégio que seria ver contracenando, no teatro, as atrizes Eva Wilma, Lilian Lemmertz e Lélia Abramo. Mais ainda, num texto de Samuel Beckett. E, para completar, sob direção de Antunes Filho. Demais? Pois muitos e muitos espectadores tiveram esse privilégio na década de 70, numa montagem de Esperando Godot cuja concepção girava em torno da idéia ?esperando a democracia?. Ficou quase dois anos em temporada e fez apresentações por quase todo o País, excursionando por 17 capitais e mais 13 cidades."Eu era produtora e chegava mais cedo nos locais. Ia direto às rádios, televisões e aos jornais divulgar o espetáculo", lembra Eva Wilma. Na maioria das cidades, as sessões eram de quinta a sábado. "Numa dessas quintas, no momento em que eu mudava de roupa na ponta dos pés para não acordar a Lilian, ela abriu os olhos e falou com voz sonolenta: ´Ah, meu Deus, já está ela pondo a roupa de pedinte.´ Eu me preparava para ir até à prefeitura local. Era a última etapa. Depois da divulgação, sempre ia até às autoridades pedir apoio para estadia e alimentação. Afinal, éramos uma equipe de nove pessoas."Essa foi uma das histórias relembradas por Eva Wilma em conversa com a imprensa no palco do teatro do Colégio Mary Ward, que foi inaugurado na quarta-feira com o seu nome: Teatro Eva Wilma. "Recebi uma carta muito bonita da direção do colégio, em maio. E não só aceitei, honrada, a homenagem como decidi criar um espetáculo para abrir a casa, um passeio por experiências de vida. Da vida de uma atriz. Volta e meia vêm à memória fragmentos de peças, de personagens. Decidi compartilhar essas lembranças." Assim, na forma de uma quase conversa com o público, estréia hoje para convidados o espetáculo Vivinha, que tem roteiro de Marta Góes e direção de Vivien Buckup.Nesse solo, que terá apenas seis apresentações, a atriz vai apresentar pequenos textos, vislumbres de personagens já criados em peças como a própria Esperando Godot ou A Megera Domada, ambas sob direção de Antunes Filho. Assim como Uma Mulher e Três Palhaços, nos primórdios do Arena, sob direção de José Renato, Um Bonde Chamado Desejo, na qual interpretou a frágil Blanche Dubois e uma versão de Antígona são as outras montagens recordadas pela atriz.A autora Marta Góes prefere chamar seu texto de roteiro. "Pessoalmente, acho maravilhoso ouvir uma atriz ´se contar´. E é isso o que ocorre em Vivinha. A matéria-prima é a vida de Eva Wilma. O que me competiu foi ordenar um pouco as coisas, dar espaço para entreter e emocionar, evitar o tom documental." Para a autora, o texto de Vivinha não é para ser decorado, e sim um roteiro a ser seguido, ou não, a cada noite.Vivinha - Sexta e sábado às 21h e domingo às 19h. Teatro Eva Wilma: Rua Antonio de Lucena, 156, tel. 3123-1753. Até 23/11. De R$ 15 a R$ 30.

Agencia Estado,

14 de novembro de 2003 | 13h06

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