Teatro do Oprimido lança revista

O Centro de Teatro do Oprimido (CTO) lançou uma revista semestral bilíngüe, Metaxis, em dezembro. A vocação internacional da revista forçou um segundo lançamento da primeira edição, que teve tiragem de 5 mil exemplares, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em fevereiro. O grupo do dramaturgo Augusto Boal pretende, com a publicação em português e inglês, abrir um espaço para diálogos e parcerias entre os adeptos do Teatro do Oprimido ao redor do mundo. O número de integrantes não é estimado, mas eles afirmam que os livros de Boal já levaram o Teatro do Oprimido (TO) a mais de 70 países.Metaxis foi lançada, mas não se pode dizer que chegou ao mercado. Segundo Geo Britto, do CTO do Rio de Janeiro, a distribuição do primeiro número vai priorizar os muitos contatos internacionais que Boal coleciona desde quando começou a criar formas alternativas de teatro. "Há grupos de TO que nós nem conhecemos. Outro dia, recebemos um e-mail da Estônia pedindo uma oficina para explicar a eles as técnicas", diz Geo. Ele, que é um dos curingas, ou intermediadores da platéia com os atores em uma peça de TO, diz que o teatro de Boal alcançou aceitação maior fora do Brasil. "Em Cherbourg, na França, um hospital psiquiátrico exige que os formandos em enfermagem aprendam Teatro do Oprimido", diz.O primeiro número de Metaxis tem artigos de grupos de TO na França, África do Sul, Burundi, Estados Unidos, Índia e da região da Palestina, além do Brasil. Neles, os grupos compartilham experiências teatrais e pedagógicas com as técnicas do TO. Metaxis foi lançada para estabelecer relações internacionais. O próprio nome da revista é uma palavra grega, que tem a ver com a transposição de um espectador de teatro do real para o imaginário. Para o Teatro do Oprimido, isso quer dizer que os espectadores podem interferir na peça, subindo ao palco para concluir uma cena inacabada, que geralmente apresenta um conflito vivido por alguém do grupo.As várias técnicas de TO têm como base a participação da platéia na peça. Quase sempre, os roteiros narram episódios reais. A cena é montada a partir de determinado conflito, mas na hora do desenlace a peça pára, e os curingas pedem à platéia para solucionar o conflito da maneira que fariam na vida real. O TO é uma área comum ao teatro, à pedagogia e à terapia. Daí ser praticado em lugares não convencionais, como presídios e assentamentos rurais.Geo Britto diz que o TO é conhecido em tantos países através de traduções dos livros de Augusto Boal, entre os quais o mais conhecido é Jogos Para Atores e Não Atores, em que o dramaturgo reúne mais de 400 técnicas e exercícios de TO. É uma versão ampliada do original, cujo título indicava 200 jogos. Este e outros livros ganharam traduções para japonês, grego, coreano, além de línguas mais familiares, como inglês, francês e alemão. Boal tem viajado com sua técnica ("a mais praticada do mundo", segundo Britto) desde que foi exilado, no início dos anos 70. Suas oficinas são em parte responsáveis pela difusão internacional do TO. Agora mesmo ele está na Europa, onde já ensinou técnicas de Teatro do Oprimido a companhias como a Royal Shakespeare Company, da Inglaterra. Para comprar um exemplar de Metaxis, interessados devem ligar para (21) 2220-7940, número do Centro de Teatro do Oprimido no Rio de Janeiro.

Agencia Estado,

20 de fevereiro de 2002 | 13h53

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