Tchau

Hoje é um dia muito triste para o meu pai. É meu último dia de Estadão. Como já falei aqui, essa foi das maiores felicidades que eu consegui dar a ele na minha vida. Mas, após mais de 130 colunas, ininterruptas, chegou a hora de me despedir. A experiência foi sensacional. Em vários sentidos, pro bem e pro mal. Ter tido um espaço aberto com total (absolutamente total) liberdade para falar o que eu penso, poder me defender, expor questões, debater, foi um passo muito grande para mim. Entendi também na pele a expressão “enxugar gelo”.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2016 | 02h00

A cada coluna finalizada, eu me deparava com um misto de alívio, pela entrega, e de desespero, em pensar que sete dias depois já viria outra. E mais outra e mais outra. Que difícil dar uma opinião em 500 palavras. E que agonia de ver o texto impresso no jornal e perceber que poderia ter dito aquilo de outra forma, usado palavras diferentes, que faltou coisa ou que não consegui me expressar como eu queria. Porque vocês não perdoam. Uns com mais veemência, outros com mais carinho, mas uma coisa que percebi é que nada passa despercebido por vocês. Uma vírgula fora de lugar, uma palavra que foi mal digitada, tudo era prontamente evidenciado.

Ler os comentários também requereu um certo doutorado em zen budismo também. Claro que houve comentários ótimos, mas é que os péssimos são mais ruidosos. Eles chegam aos berros. Os haters gostam de aparecer mais do que os fãs. Aliás, como foi bom poder trocar com os leitores. Minhas conversas com vocês geraram até uma viagem à África. Fiz amigos entre vocês. Mas sinto que, nesse momento, preciso dar uma pausa para me dedicar a um novo projeto que vai tomar a minha vida. Dia 24 de agosto estreia o meu talk show na Record.

Um programa de segunda a quinta lá pela meia noite e que me consumirá completamente. Talvez eu use um pouquinho daqui por lá. Assistam e me falem. Sinceramente, eu fui muito feliz por aqui. Quero agradecer a todos no Estadão através do Ubiratan, o famoso Bira, pela paciência de esperar pelos textos em sua maioria enviados aos 48 do segundo tempo e pelo carinho com que fui recebido e tratado por todos. Mas eu volto! Não sei quando, mas um dia eu volto. Não falo isso só para tranquilizar meu pai, mas porque sei que sentirei falta. Obrigado. Poucas coisas...

 

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