Tarsila, Oswaldo e cia. ganham o palco

A história poderia estar num folhetim, mas aconteceu na vida real. Anita gostava de Mário, que era amigo de Oswald, que era casado com Tarsila. Os personagens em questão fizeram parte da história cultural brasileira, foram os protagonistas do movimento Modernista e terão suas vidas contadas na peça Tarsila, que estréia hoje no Sesc Anchieta. O texto, escrito por Maria Adelaide Amaral e dirigido por Sérgio Ferrara, traz no elenco Esther Góes como Tarsila do Amaral, José Rubens Chachá como Oswald de Andrade, Luciano Chirolli como Mário de Andrade e Agnes Zulliani vivendo Anita Malfatti.Para contar a história de artistas tão marcantes, Maria Adelaide se concentrou na relação entre Tarsila e Oswald, que ela chamou de "tarsiwaldo". "Os demais personagens são apresentados em função de Tarsila e da relação afetiva que tiveram com ela", explica a autora.O espetáculo contará episódios ocorridos nos anos 20 - os mais produtivos para os quatro artistas em questão - e histórias marcantes da vida de Tarsila, como o encontro com Oswald, a separação do casal (ele a trocou por Patrícia Galvão, a Pagu), o casamento com Luis Martins, 21 anos mais novo, e a morte de sua filha e neta.Discreta e contida - Maria Adelaide conta que a peça estava pronta desde o ano passado, quando foram comemorados os 80 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Mas para evitar confusões entre o período e a vida particular de Tarsila - que não participou da semana porque ainda estava em Paris - a obra foi adiada para este ano, já que em 17 de janeiro completaram-se 30 anos da morte da artista cubista. Esther Góes diz que viver Tarsila foi um desafio de interpretação. "Ela era uma mulher discreta e contida. Pensava muito antes de falar e quando fazia um comentário era algo definitivo, claro e conciso".Conduzir em cena a força e a aparente fragilidade de Tarsila foi também muito trabalhoso para o diretor Sérgio Ferrara. "Ela foi uma mulher que nunca falou alto, mas explodia de sua maneira. Quando Oswald a deixou, ela gritou silenciosamente", analisa o diretor. A peça começa mostrando uma Tarsila já velha, sendo entrevistada por um repórter. À medida que as questões vão sendo respondidas, surgem flashbacks em forma de cenas. As figuras de Anita e Mário são menos presentes no espetáculo, mas temperam a relação "tarsiwaldo".O cenário foi criado pela artista plástica Maria Bonomi, de maneira que fosse atemporal e se adaptasse ao roteiro da peça. Bonomi, que não criava para o teatro havia 14 anos, fez instalações cubistas onde serão projetadas imagens de quadros de Tarsila. O cenário também tem cavaletes com reproduções das obras de Tarsila, incluindo seu último quadro, sem nome, e inacabado.Tarsila, no Sesc Anchieta, rua Doutor Vila Nova, 245, tel.: 3256-2281. De quinta à sábado, às 21h, e domingo às 19h. Ingressos de R$ 15 a R$ 30.

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