Tarefa difícil: vencer Laís Bodanzky

Sérgio Machado estava em Salvador, quando surpreendeu, numa mesa ao lado da sua, um grupo de jovens que comentava As Melhores Coisas do Mundo. Eles haviam amado o longa de Laís Bodanzky, identificando-se com as situações e os personagens. A fala do diretor de Quincas Berro d"Água (leia texto nesta página) coincide com o que o repórter do Estado viu ontem no Cine-Teatro Guararapes. Embora já tenha estreado na região Centro-Sul, As Melhores Coisas é inédito em Pernambuco e integra a competição do 14.º Cine PE.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

O imenso cinema montado no Centro de Convenções de Olinda estava lotado, com muitos jovens. A primeira vez que Fiuk, que interpreta o irmão do protagonista, apareceu na tela, as meninas fizeram coro. "Óóóóóóó." A cena entre mãe e filho, Denise Fraga e Francisco Miguez, quando Mano cobra uma confidência da mãe, provocou verdadeira comoção na plateia. A quebra dos ovos é a cena mais forte de As Melhores Coisas do Mundo.

O filme inspira-se na série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto, mas é um roteiro original de Luiz Bolognesi, pesquisado junto a adolescentes de classe média de São Paulo. Pai e mãe separam-se, as circunstâncias da separação repercutem como uma bomba nos filhos. Envolve preconceito e uma difícil aceitação, mas ela vem. No limite, é a uma história de amor entre irmãos, entre Mano e Pedro. O segundo, interpretado pelo ator e músico Fiuk, é a alma angustiada de As Melhores Coisas do Mundo. Pedro retoma o Neto de Bicho de Sete Cabeças, a emblemática primeira ficção de Laís e Bolognesi.

Logo na abertura do filme, Mano é arrastado pelos colegas ao bordel, mas ele não vai para a cama com a prostituta. Algumas cenas mais tarde, Mano faz sexo pela primeira vez com uma colega e sai pelo mundo, pedalando, feliz. A euforia do novo homem ganhou o público. O Guararapes quase veio abaixo. A ovação final foi estrondosa. As Melhores Coisas passou na quinta à noite no Recife. Ontem, passou o último concorrente, o aguardado Não Se Pode Viver Sem Amor, de Jorge Durán, com Cauã Reymond e Ângelo Antônio. Durán é fera e pode fazer bonito na competição, mas não vai ser fácil bater As Melhores Coisas. O título casa com o filme. É sobre jovens, família. Vê-lo no Recife, com esta plateia, foi uma experiência e tanto.

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