Tarantino à queima-roupa

Ciclo no CCBB reflete influências e referências que fazem do autor um nome essencial da produção contemporânea

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2013 | 02h09

Quentin Jerome Tarantino - você sabia que este é o nome completo do diretor de Django Livre? Iniciada ontem, a mostra do Centro Cultural Banco do Brasil pega carona no sucesso de público e crítica do spaghetti western com Jamie Foxx e Christoph Waltz. Django concorre ao Oscar em categorias como filme e roteiro original - prêmio que Tarantino já levou por Pulp Fiction - Tempo de Violência, em 1995, a Bastardos Inglórios, em 2010. Na entrevista que deu ao Estado em Nova York, em dezembro, antes que Django Livre se habilitasse para concorrer ao prêmio da Academia, Tarantino disse que nunca ganhou tanto dinheiro na vida. Mas não era o dinheiro, em si, que o deixava feliz.

"O bom de um sucesso como o de Bastardos é que lhe dá crédito entre os produtores. Ninguém mais pergunta o que você quer fazer. A pergunta é outra - vamos lá?" Tarantino sempre quis fazer o seu spaghetti western, mas a história só começou a tomar forma em sua cabeça durante a turnê promocional de Bastardos Inglórios. Ele estava num quarto de hotel, em Tóquio. A cena inicial de Django Livre veio inteira, visualizada em seu imaginário.

Tarantino está prestes a completar 50 anos - em 27 de março. Diretor, roteirista, ator e produtor, ele se tornou o rosto mais conhecido da revolução do cinema independente nos anos 1990. Integrou-se a Hollywood sem abrir mão de seus roteiros não lineares, diálogos truculentos e do uso de uma violência que ultrapassou os standards mesmo de autores como Samuel Fuller e Sam Peckinpah. A par da verborragia, a grande característica que identifica Tarantino é seu conhecimento enciclopédico de filmes.

Ele trabalhou numa locadora de vídeos e isso lhe deu acesso a praticamente tudo, desde obras populares a exemplares do cinema de arte. A mostra do CCBB reflete essa disparidade. Além dos filmes que realizou (Cães de Aluguel, Tempo de Violência, Jackie Brown, Kill Bill, etc.) e daqueles que escreveu ou em que atuou (Amor à Queima Roupa, de Tony Scott; Sin City, de Frank Miller e Robert Rodriguez), Mondo Tarantino traz favoritos do cineasta, como Bastardos Inglórios - O Expresso Blindado da SS Nazista, de Enzo G. Castellari; Adrenalina Máxima, de Takeshi Kitano; e Django, de Sergio Corbucci. Parecem influências e preferências disparatas, mas fazem sentido e Django Livre, ao encarar o afro-americano como propriedade, aborda um tema fundamental da formação dos EUA como nação. Você pode até compará-lo com outro filme que não tem nada a ver com o ciclo - Lincoln, de Steven Spielberg, que também concorre ao Oscar.

 

MONDO TARANTINO - CCBB. Rua Álvares Penteado, 112, Centro, 3113-3651. R$ 4. Até 17/3 - www.bb.com.br/cultura.

Cinusp. Rua do Anfiteatro, 3091-3540. Grátis. De 25/2 a 15/3 - www.usp.br/cinusp

 

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