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Tapas e Risadas

Com Bob Dylan entre seus fãs, os Três Patetas estão de volta num projeto dos irmãos Farrelly

Susan Wloszczyna, Usa Today, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h08

De repente, três figuras familiares saltam de uma fileira de arbustos e se materializam ao lado da piscina no calor abafado de julho. Um deles exibe o famoso corte de cabelos de tigela, outro uma cabeleira crespa desgrenhada e o gorducho uma careca reluzente. Eles estão perto de um edifício que tem na fachada os dizeres Sisters of Mercy Orphanage & Spa e envolvidos num cômico balé de manicômio: um personagem leva tapas na cara, outro uma pancada na cabeça, e o terceiro perde tufos de cabelo e o grito de "seu idiota!" é ouvido por todo o set do filme num bairro de Atlanta.

Pois é, Moe, Larry e Curly estão de volta em The Three Stooges: The Movie, que estreou na sexta-feira nos Estados Unidos.

Foram dois idiotas hollywoodianos, os irmãos cineastas Peter e Bobby Farrelly - eles canalizaram o espírito anárquico dos Patetas em sucessos como Débi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros e Quem Vai Ficar com Mary? -, que ressuscitaram para uma nova geração o trio tresloucado de palhaços cujas origens remontam às comédias de vaudeville.

Não se deve esperar um filme biográfico que explore os bastidores dos irmãos Moe e Curly Howard que, com o amigo Larry Fine, criaram o trio mais famoso das décadas de 30 e 40 e foram responsáveis por mais da metade dos 190 sketches dos Patetas.

Chris Diamantopoulos (séries 24 H e Boston Legal) é Moe e está zangado ao lado de Larry (vivido por Sean Hayes de Will & Grace) e do crianção Curly (interpretado por Will Sasso de MADtv). "Os Farrellys queriam fazer as crianças rirem novamente", explica Diamantopoulos.

O projeto vem sendo acalentado pelos irmãos desde 1996. No meio tempo, nasceu a ideia de fazer um longa, uma recriação dos Patetas em um ambiente moderno. No enredo, as três crianças abandonadas já crescidas tentam levantar dinheiro para salvar o orfanato, mas a ação na tela é pura patetice.

Será que a farsa agradará hoje? Não foi fácil vender a ideia, principalmente sem astros famosos nos papéis principais. "Levamos nosso projeto para vários lugares", lembram Peter, 55 anos, e Bobby Farrelly, de 53. A Warner Bros. e a Columbia Pictures, o estúdio onde os Patetas nasceram, a recusaram. "Cheguei a ajoelhar na frente de Tom Cruise e dizer: 'Você precisa produzir esta coisa'", recorda Peter.

Muitos executivos dos estúdios acharam a premissa superada. No fim, um filme de teste com o elenco atual persuadiu a 20th Century Fox a pagar cerca de US$ 35 milhões pela produção.

Resta a questão: como será que os mais jovens, que não distinguem Shemp de Curly Joe (os dois substitutos de Curly, que sofreu um derrame em 1945 e morreu aos 48 anos em 1952), reagirão à visão de homens de meia-idade fazendo o papel de idiotas? "Mesmo que eles não conheçam os antigos Patetas vão se divertir, pois adoram comédia", aposta Peter.

Então, o instinto dos dois irmãos pode estar certo se as reações do público durante a exibição podem ser tomadas como medida. "As crianças ficaram fora de si." Mas os Farrelys suavizaram diálogos e situações para ficar mais perto da abordagem inocente dos Patetas.

A última vez em que os Patetas experimentaram um surto de popularidade foi nos anos 80, quando receberam uma estrela na Calçada da Fama e a música The Curly Shuffle foi um sucesso, diz Greg Lenburg, 56, coautor (com o irmão gêmeo Jeff e a filha de Moe, Joan Howard Maurer) de uma nova edição do The Three Stooges Scrapbook de 30 anos atrás. "Em seus filmes, eles falam dos males da sociedade e de questões sociais", afirma Jeff.

Gente da geração do pós-guerra como os Farrellys, que assistiam religiosamente aos Três Patetas depois das aulas, continuam fãs. E celebridades como Bob Dylan confessam ser fiéis ao trio a ponto de incluir sua música Just Like Tom Thumb's Blues na trilha do filme

"Eles só conseguiram aparecer em longas de sucesso muito tarde em suas carreiras, nos anos 60, quando praticamente tinham chegado ao fim. Ficamos irritados quando os puristas dizem: 'Como vocês ousam fazer uma nova versão dos Três Patetas?' Acho que eles estão olhando para nós de lá de cima e sorrindo", acrescenta Peter Farrelly. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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