Tango à beira do Mississippi

Músico do Gotan Project fala do novo disco e de sua nova turnê pelo Brasil

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Maior responsável pela renovação do tango nos últimos 10 anos, o grupo francês Gotan Project traz a São Paulo no dia 7, no HSBC, uma versão turbinada de sua própria criação: o disco Tango 3.0. Que é um híbrido do gênero portenho com dub, blues, country, bluegrass e até jazz. Suas novas incursões pelo Sul dos Estados Unidos resultou em colaborações ilustres, como a do pianista Dr. John e de Aaron Neville, dos Neville Brothers.

"Dr. John tem 70 anos de idade e chegou a um ponto na vida em que só faz o que quer. Eu estava com ele no camarim, em New Orleans, antes do show, e alguém veio lhe pedir para tocar uma música junto com o grupo Bon Jovi. Ele recusou. E tocou com a gente de graça. Fiquei emocionado. Tocou com a gente porque estava de fato feliz", conta Phillipe Cohen Solal, líder do grupo, que falou ao Estado de Paris, por telefone.

Para o músico, foi ápice. Mas a fama veio muito antes, em 2001, quando lançaram seu primeiro disco, La Revancha del Tango, que vendeu 1,5 milhão de cópias. "Era um álbum muito espontâneo, original, propunha uma nova abordagem do tango. Tornou-se muito popular. O segundo disco já era mais eletrônico e mais "sério", menos naive", analisa.

O sucesso do primeiro disco do Gotan Project, segundo ele, espantou até a banda. Solal conta que, quando apresentavam a DJs e gente de eletrônica, eles não gostavam porque achavam que era muito tanguístico. Quando apresentavam a gente do tango, torciam o nariz porque achavam eletrônico. "Acho que ganhou o mundo porque trazia em si a credibilidade do underground. Nós ainda somos do underground, não temos nada a ver com o mainstream", diz.

Tango 3.0 veio a bordo da controvérsia. Em fóruns na internet, alguns fãs já demonstraram não gostar da mistura, do "descarrilamento". Solal não se abala. "Não sentimos ainda a resposta global. Acho que, se as pessoas ouviram os discos anteriores, sabem que nós propomos novos jeitos de tocar o tango. E agora estamos entrando com ele em outros territórios, que são os das raízes norte-americanas. Mas eu acho que, antes de fazer juízo, têm de ouvir com cuidado porque, de qualquer modo, não somos turistas no tango, sabemos o que fazemos, e continuamos buscando um novo som". Além de Solal, o Gotan é completado pelo guitarrista Eduardo Makaroff (argentino radicado em Paris) e pelo programador suíço Christoph Muller.

GOTAN PROJECT

HSBC Brasil. Rua Bragança

Paulista, 1.281. Informações tel: 4003-1212 (atendimento de segunda a sábado, das 9 h às 22 h). Dia 7/10, às 22 h. R$ 60/ R$ 150.

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