Tamanho não é documento. É?

Logo no começo de Headhunters, Roger, o protagonista do thriller do norueguês Morten Tylden, falando diretamente para o espectador, conta que tem apenas pouco mais de 1,60 m. Pelo tom da conversa, você não precisa ser nenhum psiquiatra de plantão para saber que se trata de um problema para ele. Roger é o maior headhunter da Noruega. Isso significa que ele procura profissionais para cargos de executivo em grandes empresas. Mas isso é só a ponta visível do iceberg.

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2012 | 03h08

Roger tem uma outra atividade para financiar o estilo luxuoso de vida que oferece, até como compensação por sua pouca altura, à mulher loira, linda - e alta. Ele rouba obras de arte e ela, curiosa ou significativamente, é marchande (e está inaugurando sua galeria). Justamente na abertura da galeria, Roger é confrontado com dois signos de perigo. Ele é apresentado ao policial que investiga roubos de quadros. E - pior - é apresentado a um loiro, alto que tem o perfil do executivo que ele precisa para ocupar um cargo no momento. Como se não bastasse, o cara obviamente está jogando charme sobre sua mulher.

Headhunters - assim mesmo, com seu título internacional em inglês, sem tradução para o português - decola desta maneira e o espectador que vai ver o filme encontra, no cartaz, a informação de que se trata do novo thriller dos produtores de A Garota com a Tatuagem de Dragão (a versão nórdica da série de Stieg Larsson). É tudo o que o público precisa saber sobre o filme de Morten Tylden. Tudo?

Se você entrar na sala somente com essas informações - básicas -, será literalmente atropelado pelo desenrolar da trama de Headhunters. Pois o loiro alto, como ex-integrante de forças especiais, é programado para matar e logo em seguida enreda Roger e a mulher numa trama de sexo, e morte. A caçada humana vira sobre-humana, porque o cara é pior que Rambo. Na corrida pela vida, o mundo clean de Roger - sua casa - chafurda. A casa transparente, toda de vidro, vai sendo substituída por cenários rústicos. Uma cabana, um estábulo, uma privada. O herói chafurda em fezes e sangue. Perde tudo, até a identidade. E precisa se reconstruir, se quiser provar a si mesmo que é o maior - e tem condições de derrotar seu poderoso oponente.

Tamanho é ou não é documento? Toda a trama e a conclusão de Headhunters giram em torno disso. Para provar sua tese, que você terá de ver o filme para descobrir qual é, o diretor Tylden cria um filme aflitivo e, sob múltiplos aspectos, imprevisível. Lá pelas tantas, você simplesmente não sabe para onde vai a narrativa nem qual será o desfecho. Ninguém chega a ser um grande headhunter - caçador de talentos -, se não souber avaliar as pessoas. A vida de Roger vai depender de um(a) aliado(a). Em quem confiar? A pirueta final é muito interessante, pela forma como prova que a insegurança e o narcisismo não dependem de tamanho. / L.C.M.

Crítica: Luiz Carlos Merten

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