Talento da música como braço direito

Não é de hoje que a convergência de artes visuais com música produz resultados interessantes. Nessa estrada de mão dupla, a cabeça de Nuno Ramos fervilha com ideias malucas e carece de alguém para produzi-las e levá-las adiante. Quem faz esse trabalho para ele, não apenas como mero executor, mas dialogando e apresentando ideias benéficas, é o já conhecido cantor e compositor Romulo Fróes (foto), assistente de Nuno há 16 anos.

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2010 | 00h00

Hoje, às 20 h, no Teatro de Arena (R. Dr. Teodoro Baima, 94), ocorre um bate-papo sobre música e artes plásticas entre Nuno, Romulo e o artista Eduardo Climachauska, como parte do ciclo de encontros que antecedem a Bienal. Após a conversa, a parceria dos três ficará ainda mais evidente em show no qual Romulo apresentará composições feitas pelo trio. "Estou terminando de gravar meu quarto disco, mas desde o primeiro a minha parceria com eles já aparecia. As artes plásticas influenciam minha carreira de músico no comportamento não musical. Dá frescor para os meus discos, mais no sentido da experimentação, que vem muito desse diálogo. Em relação ao meu trabalho como assistente do Nuno, é como se ele lançasse um disco e eu fosse o produtor", explica o compositor.

O envolvimento com Nuno começou em 1994, quando Romulo descobriu que o artista precisava de um assistente para seu trabalho na Bienal daquele ano. Na edição de 2010, o próprio compositor diz que está praticamente "morando na Bienal", de tanto trabalho que tem pela frente até a inauguração da mostra.

Mas a parceria parece estar com os dias contados. Culpa da música, que dá cada vez mais segurança para Romulo mergulhar na carreira. "A minha formação é em artes plásticas, desenho com muita facilidade. Não sou músico, instrumentista formado. Sou compositor e acho que justamente essa minha inabilidade, a dificuldade em tocar o violão, que me levou para a música. O meu trampo com o Nuno foi um truque perfeito. Trabalhar com um cara incrível e me sustentar, já que ainda não posso viver de música, minha música não toca na rádio. Mas eu sinto que essa hora está chegando, que esse mercado pequeno, independente, está se tornando maior. Esse deve ser meu último ano como assistente do Nuno", comenta Romulo.

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