Tadeu Jungle usa texturas e sentimentos em mostras

Tadeu Jungle inaugura esta noite na Galeria Valu Oria não uma, mas duas exposições, que se inter-relacionam de forma indireta, compondo um panorama complexo de imagens, uma trama na qual se mesclam o mundo das aparências e um mergulho mais profundo, na intimidade do artista. O próprio título das mostras ajuda a compreendê-las. A primeira delas, Chão, reúne uma série de imagens fotográficas (feitas na areia das praias cariocas ou nas texturas e manchas de cor encontrados no asfalto paulistano). A segunda, O Espetáculo da Solidão, que tem um caráter de instalação, associa e potencializa imagens muito coladas à vivência do artista, que trazem para fora sentimentos de solidão e abandono. Numa sala totalmente escura, ao som irritante de uma torneira pingando, o visitante tem acesso a uma coleção de imagens. Mas o olhar é seletivo e depende do uso de uma lanterna. Ao centro, um armário vazio simboliza a separação; ao fundo há um pequeno vídeo no qual vemos Jungle explodir numa crise de choro. Sobre essa revelação pública da fragilidade íntima, ele explica: "É meu espírito dionisíaco, meu lado mais Zé Celso." A criticável dissolução do limite da privacidade também provoca, incomoda e revela quão pouco se está disposto a ver a dor do outro. Realmente a cena do homem sofrendo dentro de seu automóvel contrasta fortemente com os dois vídeos (São Paulo Hip Hop e São Paulo Rock & Roll) que fazem parte da mostra Chão. Os caleidoscópios de carros filmados de cima lida com o vocabulário da criação plástica e estética (superfície, movimento, repetição, autonomia da imagem). Já O Espetáculo da Solidão mergulha e extrai dos subterrâneos os elementos dessa trama.

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