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Tá no ar

Quinta-feira agora estreou na Rede Globo o programa humorístico Tá no Ar. É o melhor programa de humor da televisão brasileira. Marcelo Adnet, Marcius Melhem, Welder Rodrigues e companhia, fazem um tipo de humor que a TV Globo não fazia desde os bons e velhos tempos do Casseta e Planeta (aquele Casseta dos anos 1990). Sacaneiam a TV e, por isso mesmo, a própria Rede Globo, com uma velocidade e uma acidez que merecem aplausos.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 02h07

Finalmente, o humor na Rede Globo começou a andar lado a lado com o que vem sendo feito fora dela. Que a Globo tinha bons atores e bons comediantes, a gente já sabia há muito tempo. Katiúscia Canoro, Rodrigo Santana, Leandro Hassum, Fernanda Torres e Andrea Beltrão já nos mostravam isso, há algum tempo.

Mas o diferencial do Tá no Ar é o texto. Roteiros afiados, escrotos e sem preocupações com o que o "Jurídico" vai falar, fazem da atração das quintas-feiras à noite, um programa inteligente e divertido. Somados a isso uma boa edição (coisa rara no humor brasileiro, seja na TV, na internet ou no cinema) e uma boa direção, o programa de 30 minutos (Só? Queria uma hora!!!) representa mais pra televisão do que 20 anos de tentativas frustradas de um tipo de comédia imbecil e popular (no mau sentido)!

Algumas pessoas me indagaram: como o Porta dos Fundos recebe esse novo concorrente? Deixe eu explicar uma coisa, na comédia, não existem concorrentes, existem admiradores e parceiros. Nós do Porta, comemoramos o fato de haver um programa de humor de ótimo nível na TV. Como comemoramos séries de humor de sucesso no Netflix, como ficamos contentes quando um filme cômico concorre a algum prêmio. A comédia talvez seja o único filão que não compete, mas que torce junto, que dá força a seus pares.

A minha vontade é que o novo Zorra Total seja incrível. Porque ele não vai botar uma sombra sobre o Porta, ao contrário, vai nos incentivar a criar mais e mais. O humor não é inimigo entre si, ele, pelo que se tem visto ultimamente, é inimigo dos outros. Entre nós, só há vontade de fazer as pessoas rirem. Se for do Porta, do Tá no Ar ou da Praça É Nossa, sem problemas. O importante é o público se divertir e querer ver mais e mais. Porque uma piada puxa outra piada. E se você um dia achar o Gregório Duvivier sem graça (duvido), você vai achar o Marcelo Adnet sem graça (impossível), vai achar o Fábio Porchat sem graça e vai achar a Tatá Werneck sem graça (te desafio) e vai começar a achar tudo meio mais ou menos. E na comédia não existe mais ou menos, existe "risada ou silêncio" e eu, como telespectador, achei o Tá no Ar risada, do começo ao fim! Viva!

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