Szafir encena sucesso dos anos 60

Um dos maiores sucessos teatrais de todos os tempos, a comédia Boeing-Boeing, do francês Marc Camolletti, estréia nesta quinta-feira, no Rio, no Teatro dos Grandes Atores, tentando repetir o sucesso que obteve nos anos 60 no Brasil e que vem tendo desde então em todo o mundo. Desta vez, Luciano Szafir é Bernardo, o arquiteto sedutor que se enrola ao namorar três comissárias de bordo (vividas por Maria Ceiça, Heloísa Perrissé e Franciely Freduzeski). A peça, uma comédia de confusões, daquelas que franceses são especialistas, recebeu nova tradução de Flávio Marinho, que trouxe a ação para os dias de hoje. A direção é de Darson Ribeiro.Não é a primeira vez que Szafir sobe em um palco, mas ele considera essa peça sua estréia. Ao menos, é a primeira em que se sente à vontade. "Desde que decidi ser ator, há quatro anos, venho estudando sem parar, mas só agora consigo curtir o que faço no palco. Só agora começo a elaborar a cena e não fico ansioso para acabar logo, para evitar maiores erros", diz ele. "Isso não quer dizer que estou pronto, mas já posso notar um progresso de meus primeiros trabalhos para os últimos."Ele se refere a sua participação na minissérie Aquarela do Brasil, onde viveu um judeu refugiado no Brasil durante a 2.ª Guerra Mundial. Foi seu batismo de fogo porque, não só usava um sotaque, como participava de cenas dramáticas em que tinha de comover o público. Conseguiu convencer e explica que o fato de ser judeu ajudou a compor o personagem. "No fundo eu estava contando a história da minha família, mas foi ótimo ter feito a minissérie. Pela primeira vez, meu trabalho foi notado sem nenhuma conotação negativa", comemora Szafir. "Sei que o público ainda não vai me assistir exclusivamente para ver meu desempenho, mas ainda chego lá. Estou estudando e empenhado para isso."Em Boeing-Boeing, o mais difícil é fazer rir sem cair no pastelão. Apesar de o enredo girar em torno de seu personagem, Bernardo não fica o tempo todo em cena e tem um comportamento até discreto, se levados em conta os personagens de Raul Gazolla, que vive Roberto, seu melhor amigo, e Beth, a empregada vivida por Vic Militello. "No início, eu até tentei forçar um pouco para fazer rir, mas ficou falso, não deu muito certo e, com o diretor, chegamos à conclusão que meu personagem fica mais eficiente sendo discreto", comenta o ator. "Depois, eu contraceno com gente muito mais experiente que eu em fazer rir. Nem tentei ser mais engraçado que a Vic Militello, por exemplo."Luciano Szafir tenta imaginar como deve ter sido o espetáculo que fez enorme sucesso em sua estréia brasileira, com Eva Wilma e John Herbert encabeçando o elenco, mas preferiu só ver uma vez o filme americano feito com base no texto e estrelado por duas feras da comédia, Tony Curtis e Jerry Lewis. "No filme, o papel dos dois atores foi aumentado, mas nesta montagem optamos por uma fidelidade ao original, onde há um equilíbrio entre os personagens", conta Szafir. Se ele evitou cair na tentação de copiar Tony Curtis, não tem se furtado a assistir a clássicos para estudar a atuação de outros atores. "É como um dever de casa. Você vê uma cena e depois os detalhes, vê que cada gesto do ator tem um motivo, uma função dramática."Nessa estréia oficial (a real foi em 1999, em Lancelot, espetáculo de carreira tumultuada), Luciano Szafir é o produtor e está investindo alto. Além de Darson Ribeiro e Flávio Marinho, ele chamou Kalma Murtinho para desenhar os figurinos e Maneco Quindaré para cuidar da luz. "O espetáculo custaria cerca de R$ 150 mil, se eu não tivesse conseguido alguns apoios e pequenos patrocínios. Todos fora das leis de incentivo cultural, porque, apesar de estar inscrito, não consegui nada", comenta ele. "Isso não me preocupou muito porque sei que, depois da estréia, os patrocinadores aparecerão."

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