Système Castafiore chega para brincar com o público

Diversidade de linguagens, uma pitada de ironia e outra de humor. Essa é a receita da companhia Système Castafiore, que estréia nesta quarta-feira no Teatro Alfa o espetáculo "Phi Program: Outrenoir, Shift-H e A Nagy Fal". A montagem foi inspirada em fragmentos de peças do dramaturgo e diretor húngaro Emil Prokop; além dos textos, a criadora Márcia Barcellos mistura elementos do teatro de máscara e projeções de vídeo.Essa miscelânea é uma marca da companhia, resultado das influências que a brasileira Márcia Barcellos acumulou ao longo de sua carreira. Aluna de Alvin Nicolais, bailarina da Cia. de Régine Chopinot e de Philippe Decouflé. Seu parceiro na criação do grupo, Karl Biscuit, é músico, compositor, diretor e ornitólogo. Eles fundaram o Système Castafiore em 1989 com a proposta de divertir e brincar com a percepção do público.´Escolhemos os textos de Prokop pelo inusitado. Um homem que atravessou todo o século 20, viveu dos anos 10 aos 80, e não tem nenhuma obra inteira, apenas fragmentos de textos´, diz Márcia. Ela resolveu reunir três peças representativas do dramaturgo. ´Esses textos trazem uma visão parcial do mundo e ao mesmo tempo dialogam com as idéias do grupo. Fizemos uma tradução bem pessoal, não linear e ao mesmo tempo criamos elos entre cada trecho escolhido.´Márcia aposta na criatividade do público. ´É importante que as pessoas estejam abertas para o espetáculo, que tirem suas próprias conclusões e montem sua própria coreografia.´ A primeira peça a ser apresentada será "Outrenoir" e tem forte influência do teatro, principalmente do teatro de máscaras. O cenário é todo negro e o figurino, repleto de texturas, também. O diretor de cena, Julien Guérut, valoriza a luz e a contraluz, o ponto alto da apresentação.Em "Shift-H" o grupo se volta para a pesquisa do movimento por meio de imagens projetadas, influência certa dos trabalhos de Alvin Nicolais e de Philippe Decouflé. A luz, como no espetáculo anterior, mantém-se fundamental, no entanto, a relação se dá com os gestos dos bailarinos. Eles vestem branco, as imagens projetadas são coloridas e dançam com os intérpretes. Chegam, até mesmo, a serem projetadas em seus corpos. ´Os projetores são portáteis, o que garante boa qualidade às imagens exibidas. Alguns vídeos foram gravados no museu de teatro húngaro.´A última parte trabalha a relação dos intérpretes com o espaço. Alusão à Muralha da China, "A Nagy Fal" cria um cenário labiríntico, o que exige preparo físico dos bailarinos e atores para interagirem. ´A companhia tem um trabalho eclético, com pessoas de diferentes formações, com visões de mundo distintas. Procuramos oferecer ao público várias formas de interpretar o cotidiano, sempre com humor´, observa Márcia. ´O impacto visual é fundamental e o riso é uma forma de emoção.´ Système Castafiore. Teatro Alfa (1.134 lug.). R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, 5693-4000. Hojee amanhã, 21 h. R$ 40 a R$ 90

Agencia Estado,

13 de setembro de 2006 | 12h14

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