Sutil e necessário tributo de Maia a Manezinho Araújo

Dentre os grandes compositores pernambucanos, Manezinho Araújo (1910-1993) é o mais injustamente esquecido. Antes de trocar a música pela pintura naïf, ele foi bastante popular, entre as décadas de 1930 e 1950, e ficou conhecido como "Rei da embolada" por clássicos como Cuma É o Nome Dele?. Tinha de ser Geraldo Maia, conterrâneo arretado e sempre surpreendente, a trazer para os novos tempos outras facetas do compositor, cantando ótimos sambas, cocos e toadas que soam praticamente inéditos de tão raros, acompanhado apenas do violão de Vinicius Sarmento e da percussão leve de Lucas dos Prazeres. "Danou-se, juntou a fome com a vontade de comer", como ele canta numa das preciosidades de Manezinho, Juntou a Fome. Algumas pinturas do artista ilustram o encarte do CD, mas a melhor moldura que sua música poderia ter nesse retrato - entre letras bem-humoradas e líricas - vem da lapidada interpretação de Maia, de voz sutil e cativante como os arranjos, e do violão impressionista e impressionante do jovem Vinicius Sarmento.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2011 | 00h00

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