Suspense domina entrega do prêmio Coca-Cola

O suspense pairava no ar, anteontem à noite, pouco antes do início da entrega do Prêmio Coca-Cola Femsa para os melhores de 2003 no teatro feito para crianças e jovens. Única nessa importante área da criação teatral, a premiação foi criada em 1994 e devido a compras e recompras da distribuidora Coca-Cola, havia fortes boatos sobre sua extinção. Sob um clima de tensão, os artistas indicados de 2003 - são 13 as categorias premiadas com um troféu e um prêmio em dinheiro de R$ 4 mil - aguardavam no Espaço Araguari, Jardim Europa, o início do evento previsto para as 19 horas. Com pouco mais de uma hora de atraso, a cerimônia começou com um balanço e a entrega dos prêmios de autor e diretor, vencidos respectivamente pela Companhia Le Plat du Jour e Alexandre Roit, por Os 3 Porquinhos, e Vladimir Capella, por O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. Luciana Bueno foi a vencedora na categoria cenografia por Piratas do Tietê - O Filme; J.C. Serroni, na categoria figurino por O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá; Davi de Brito venceu pela iluminação de Miranda. Nos três casos, os agradecimentos revelavam a tensão ambiente. O primeiro a quebrar o clima foi o DJ Eugênio Lima, que em parceria com Noizyman venceu pela trilha sonora de Acordei Que Sonhava. Depois de agradecer, ele disse: "Esse prêmio é muito importante, e devemos lutar para que sua importância seja reconhecida." Foi intensamente aplaudido. Alexandre Roit, premiado por sua atuação em Piratas do Tietê - O Filme aproveitou "que Eugênio havia começado", para falar da importância do teatro de grupo. Carla Candioto dividiu o prêmio de atriz com Alexandra Golik pela atuação de ambas em Os 3 Porquinhos. Vinícius Loiola agradeceu com um breve obrigado o troféu na categoria Revelação por Faz e Conta, Fábula de Esopo. Em seguida, Eugênio Lima volta a subir ao palco para receber o Prêmio Especial pela pesquisa do espetáculo Acordei Que Sonhava. Mas coube a Cíntia Abravanel, premiada da categoria seguinte, produção, o discurso mais diretamente relacionado ao tema das conversas da noite. Voz embargada, Cíntia dirigiu-se diretamente ao presidente da Coca-Cola Femsa: "Não deixe de ´fazer´ este prêmio. O teatro infantil é discriminado de todos os lados. É importante contribuir para a criação de espetáculos infantis dignos." O presidente não perdeu tempo. "A Coca-Cola Femsa vai em frente!", falou ao microfone, com forte sotaque. Cíntia mal tinha descido do palco e já subia novamente, com toda sua equipe, para receber o prêmio máximo da noite, melhor espetáculo infantil, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. Em seguida, foi a vez da equipe de Piratas do Tietê - O Filme, premiado como melhor espetáculo juvenil. Depois da festa, silêncio para ouvir Ernesto Silva anunciar que manteria a o troféu e a solenidade de premiação. Mas o valor em dinheiro seria transferido para o programa Leva ao Teatro. Criado em 1999, o programa já levou 25 mil crianças para ver 35 diferentes peças teatrais. Os espetáculos, infantis e juvenis, são escolhidos trimestralmente, pelo júri do prêmio. Os alunos ganham transporte e alimentação e as companhias recebem R$ 3 mil por espetáculo.

Agencia Estado,

22 de janeiro de 2004 | 12h59

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.