Suspensa a temporada da peça BR3

Por falta de recursos financeiros, está suspensa a temporada de BR3, espetáculo do Teatro da Vertigem dirigido por Antonio Araújo. O motivo é a retirada do patrocínio da empresa TransRio, proprietária dos barcos que levam público e atores por 4,5 quilômetros pelo leito do Rio Tietê, palco dessa montagem. ?O custo direto da utilização dos barcos e plataformas é de R$ 85 mil, sem lucro, e o grupo paga R$ 25 mil?, afirma Andrelino Novazzi, diretor da TransRio. ?É uma decisão dolorida, mas não há como pagar esse valor agora pedido?, diz Araújo.Apoiando o grupo desde os ensaios, Novazzi esperou que outros patrocinadores viessem com o tempo. Mas isso não aconteceu. ?Por que só o Andrelino??, pergunta o empresário. BR3 exige logística complexa, equipamentos de luz e som de alta tecnologia, cujo aluguel é caro. Até os ensaios, o grupo só tinha o apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro, de R$ 110 mil reais. A temporada, prevista para três meses, só estava sendo possível por causa do patrocínio da Petrobrás, obtido por intermédio da Lei Rouanet, de R$ 600 mil. ?E o orçamento da temporada foi feito com esse valor de R$ 25 mil?, diz Walter Gentil, produtor do Vertigem.BR3 sem dúvida é um dos mais relevantes espetáculos em cartaz na cidade, mas também um dos mais desconcertantes, o que talvez explique a dificuldade de conseguir patrocinadores, que tendem a associar sua imagem a montagens mais leves, na linha do entretenimento. Desde semana passada BR3 está suspenso. A partir de contatos feitos pelo grupo, o poder público se sensibilizou, mas até agora não conseguiu recursos. Elvio Mori, coordenador regional da Funarte, em São Paulo, foi até o Tietê, reuniu-se com diretor e atores. ?Tentamos ajudar com articulação política, mas não temos como oferecer verba. Estamos abrindo editais, lutando pela transparência e democratização dos recursos. Não encontramos um mecanismo para enquadrar essa ajuda emergencial?, afirma Elvio. Não exatamente a mesma a linha de argumentação do secretário estadual de Cultura João Batista de Andrade. ?Quando entrei aqui não havia política cultural e lutei por uma. No dia 26 serão abertos os editais da Cultura e torço para que o Vertigem possa entrar nesse edital, ser bem-sucedido e retomar a temporada.?Um desses mecanismos, o Programa Municipal de Fomento ao Teatro, já apóia o grupo. O secretário municipal de Cultura, Augusto Calil, também se mobilizou e está tentando conseguir, juridicamente, outro mecanismo para apoiar o grupo com R$ 50 mil, para garantir o fim da temporada. ?Ele espera ter um solução até hoje?, afirmou sua Assessoria de Imprensa. ?Vamos continuar buscando recursos, queremos manter a temporada?, diz Araújo.

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