Surfe na pororoca e samba no interior

La Pupuña. Um dos melhores showa: rock com sabores locais   BELÉM

, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

Se Gabi Amarantos reina no tecnomelody, o surfe da pororoca é inspiração para uma banda de rock raçuda como La Pupuña (de Belém), o carimbó representa a Ilha de Marajó (pela cantora Olyvia Magno), o interior também revela um supergrupo que faz bom samba inspirado nas raízes cariocas: Sandália de Ambuá, de Abaetetuba. Circuito Floresta Sonora com Juca Culatra e Metaleiras da Amazônia trouxeram uma contagiante mistura de guitarrada, reggae, cúmbia, carimbó e merengue. As três noites de shows do Conexão Vivo no Píer da Casa das Onze Janelas possibilitaram fazer uma síntese representativa da diversidade da música paraense hoje. Teve até rock com ares sinfônicos, com os garotos da Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia, e o jazz com sotaque brasileiro do grupo Zarabatana Jazz.

Convidados desses e de outros artistas também deixaram sua marca territorial, como a cantora Déa Palheta, que fez bela participação no show de Olyvia Magno com seu violão. Mestre no instrumento, o internacional Sebastião Tapajós deixou um gosto de quero mais depois da canja no show do bom grupo mineiro Cataventoré. Outra conexão Belém-BH teve outro exímio violonista como anfitrião: Gilvan de Oliveira. A fusão da folia mineira com carimbó ganhou força com a percussão do Trio Manari (de Belém), mas a participação de Marco André, paraense radicado no Rio, destoou do estilo discreto de Gilvan.

Grandes afinidades têm o mineiro Sérgio Santos e o capixaba Zé Renato, que fizeram boa combinação de vozes e violões. Outro encontro que resultou mais do que adequado foi o do guitarrista Pio Lobato com o trio Caldo de Piaba, do Acre, que vem se aprimorando a cada show.

Cores locais. O Caldo é uma das bandas da região com maior influência dos sons das guitarras bem timbradas de origem africana incorporadas pelos mestres paraenses via Guianas. Lobato é referência contemporânea para uma legião de músicos. La Pupuña, como o Caldo de Piaba, promove um mix sensacional de surf music com cores locais e fez um dos melhores shows desses três dias de festival. E trouxe como convidado o grupo Candiru Malino, tendo como integrante um garoto de 10 anos, Vinicius, que também dá os primeiros passos na história da guitarrada. / L.L.G.

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