Superstar da primeira Flip

Historiador fez grande sucesso na estreia da Festa Literária de Paraty, em 2003

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2012 | 03h11

Ao final da primeira edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, em 2003, Eric Hobsbawm ganhou a alcunha de "intelectual superstar", conferida pela historiadora Lília Schwarcz. Não foi exagero - o mais velho entre os participantes, o historiador desbancou, em popularidade, autores como Don DeLillo, Hanif Kureishi, Julian Barnes, entre os estrangeiros.

Bastava passear pelo calçamento irregular de Paraty para constatar: com tênis, meias até o joelho, shorts exageradamente largos e camiseta, Hobsbawm não conseguia andar mais que alguns metros sem ser parado por alguém (na maioria, jovens). Sem se incomodar, ele dedicava extrema atenção ao que lhe era perguntado (mesmo quando o inglês do interlocutor era claudicante) e respondia, às vezes, em longos minutos.

Também posava para fotos e, quando apresentado para o amigo do fã, dizia simplesmente "Oi, sou o Hobs", assimilando a informalidade brasileira. Na época, Hobsbawm lançava no Brasil sua autobiografia, Tempos Interessantes (Companhia das Letras), que revê o século 20 a partir de sua trajetória pessoal ao mesmo tempo em que reflete sobre os acontecimentos mundiais: as crises financeiras e políticas dos anos 1920, a ascensão de Hitler e os acontecimentos da 2.ª Guerra Mundial, até chegar à Guerra Fria e ao fim do império soviético.

A palestra do historiador, realizada na noite do primeiro dia da Flip, foi a mais disputada e terminou com uma piada contada por ele: três milionários estão sentados em um bar; depois de beber algumas cachaças, começam a se empolgar e cantam a música mais marcante de sua juventude: a Internacional Comunista.

No dia seguinte, Hobsbawm conversou com o Estado, revelando sua preocupação em destacar a importância de se pensar a História não apenas em termos nacionais, mas a partir da preocupação em inserir contextos particulares na história do mundo.

"Hoje há uma enorme demanda por história, principalmente por meio de programas de televisão", disse ele. O que acontece é que a história é utilizada para as pessoas identificarem suas raízes no passado, sejam pessoais ou nacionais. O detalhe é que o avanço tecnológico, que é mais acentuado nas sociedades desenvolvidas, não se interessa pelo passado, mas em resolver problemas. Aí está a essência da questão: resolver os problemas sem referências do passado. Isso influencia a sociedade de consumo, que se interessa apenas pelo que pode comprar agora e no futuro."

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