Superprogramação infantil

Neste fim de semana de feriado prolongado, novas estréias infantis engordam a agenda cultural da criançada ao lado do que já está em cartaz ou reestreando na cidade. A infância de Tchaikovski, contada pelos atores e produtores Carlinhos Rodrigues e Drika Vieira, os sonhos e lembranças de uma garota chamada Maria, adaptados do texto de Lygia Bojunga, e o show de patinação no gelo com o Circo de Moscou são algumas das atrações. Também já vale anotar a estréia de O Príncipe Feliz, de Oscar Wilde, com a Companhia de Teatro Era uma Vez, que entra em cena na próxima semana.Criada há cinco anos por Carlinhos Rodrigues e Drika Vieira, a AC Produções Artísticas inicia domingo a temporada do espetáculo Como uma Gaivota, no teatro do Sesc Belenzinho. "Desde a primeira peça que produzimos, sempre utilizamos na trilha músicas de Tchaikovski, mas somente este ano tivemos a idéia de estudar sua fascinante história", conta Drika.A peça retrata a infância do compositor russo Piotr Dliitch Tchaikovski que, como muitas crianças, era adorável e vivia tranqüilamente com a família. Certo dia, sua mãe compra um piano incentivada pela governanta Fanny Dürbach, que foi contratada para educar os filhos mais velhos, mas, em pouco tempo, começa a dar aulas de literatura, geografia e história para Pedro (Piotr). A partir desse momento, a vida do menino ganha outro sentido, ele aprende música e passa a expressar seus sentimentos por meio das composições. "Para a governanta Fanny, Tchaikovski era uma criança de vidro, extremamente sensível", conta a atriz.Segundo ela, o nome do espetáculo Como uma Gaivota é a tradução para Tchaikovski, em português. "Por isso, também fomos estudar um pouco sobre a gaivota e descobrimos que seu vôo é perfeito, ela nunca erra, apenas quando morre. Ou seja, Tchaikovski realmente era como uma gaivota", afirma Drika, que pesquisou a vida do artista por quase um ano. DivulgaçãoCena de Como uma Gaivota, sobre a infância de TchaikovskiApesar de não ser um musical, o espetáculo tem as cenas pontuadas pela música. "Indicado para crianças a partir de 7 anos, a peça não quer apenas incentivar o gosto pela música clássica, mas também revelar o rico universo e a personalidade do artista." Assinados pela AC Produções, cenário e figurinos pretendem manter a beleza da peça, mas com simplicidade "para não mascarar a sensibilidade e a poesia do texto". Quem já teve a oportunidade de conferir outro trabalho da companhia sabe que este não é o primeiro inspirado em uma grande personalidade. No repertório da AC Produções estão Uma História Que a Manhã Contou ao Tempo para Ganhar a Rosa Azul (inspirado em Jorge Amado), O Que o Vento Sopra... (inspirado em Cecília Meireles) e Vincent - Por um Toque de Amarelo, baseado em Van Gogh.Outra boa pedida para curtir este fim de semana é o infanto-juvenil Corda Bamba, de Lygia Bojunga, numa adaptação de Paulo Faria e direção de Johana Albuquerque. Oscilando entre o presente na cidade e o resgate do passado, por meio de sonhos e lembranças dentro do universo do circo, a peça narra a história de Maria, uma menina de 10 anos, filha de equilibristas, que perde a memória por um bom tempo. Para acabar com o sentimento de solidão na casa da avó, ela começa a esticar cordas coloridas da janela de seu quarto até uma outra no alto de um prédio que, ao poucos, vão revelando cenas do passado e tirando-a do esquecimento.Diretora e pesquisadora teatral, Johana já dirigiu 13 peças, entre as quais, Banheiro, de Pedro Vicente, e Cabrália da Peste, uma livre adaptação de Estado de Sítio, de Albert Camus. Autora premiada e com textos adaptados para televisão e rádio, Lygia teve seu Corda Bamba filmado na Suécia.Ainda na categoria teatro, a garotada deve marcar na agenda a estréia de O Príncipe Feliz, que ocorre apenas na semana que vem, no Centro Cultural São Paulo, como parte do Projeto Caleidoscópio - As Várias Facetas do Teatro Infanto-Juvenil no ano 2000. Sob a direção de Giovanni Garcia e Cláudia Lizzardo, a Companhia de Teatro Era uma Vez leva aos palcos a montagem adaptada do texto de Oscar Wilde, que conta com a participação especial de Paulo Autran, fazendo a voz de Deus em off.Indicada para crianças a partir de 4 anos, a peça mostra um princípe que abusou de suas riquezas por toda a vida sem importar-se com as outras pessoas. Mas quando morre é transformado numa estátua repleta de folhas de ouro e pedras preciosas, colocada no ponto mais alto da cidade. É de lá que o rosto da estátua ganha vida e reconhece o sofrimento das pessoas passando a ajudá-las com suas jóias.Depois de apresentar-se em Paris, Tóquio, Londres, Monte Carlo e Buenos Aires, o Circo de Moscou no Gelo chega à cidade com toda sua trupe, para mostrar um repertório com 22 números, na pista de gelo do Ginásio do Ibirapuera. Formada por 50 profissionais entre artistas, músicos, técnicos e diretores, a companhia dirigida por Sergey Ryshkoff trouxe 20 toneladas de equipamentos para a turnê brasileira, na qual une a precisão das técnicas de patinação à arte milenar do circo. Dividido em duas partes, o espetáculo tem, entre outros, os números Vôo no Picadeiro, Aranhas Cósmicas, Gêmeas no Ar, Mulher do Fogo, Sonho Mágico e Trapézio. Um prato cheio para quem gosta de diversão.

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