Superprodução revisita Carmem Miranda

Carmem Miranda está de volta aos palcos cariocas a partir desta quarta-feira. E em dose dupla, vivida pelas atrizes/cantoras Stella Miranda (que escreveu e produziu espetáculos sobre Nélson Gonçalves e Elza Soares) e Soraya Ravenle (que foi Dolores Duran há dois anos). O espetáculo é o musical South American Way, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, que estréia no Teatro Scala.É uma superprodução de R$ 1,2 milhão, bancada pela Petrobras e levantada por Cíntia Graber, uma ex-jornalista que há três anos produziu Somos Irmãs, comovente biografia cantada das irmãs Linda e Dircinha Batista.Apesar do título em inglês, Miguel Falabella (também diretor da peça) fez um musical totalmente brasileiro, a começar pelo repertório, com os maiores sucessos da nossa Pequena Notável, que se tornou a Brazillian Bombshell ao virar estrela em Hollywood. Falabella e Maria Camem vêm escrevendo o texto há quase dois anos, uma das muitas parcerias da dupla. O primeiro nome pensado para viver a protagonista foi Stella Miranda, que perdeu a conta de quantos espetáculos fez com eles. "Foram muito carinhosos comigo e cantar as canções dela é uma farra", conta Stella.A peça faz a menina Maria do Carmo, filha de imigrantes pobres portugueses, dialogar com a estrela internacional, angustiada com a solidão e a hostilidade da elite brasileira a seu estilo escrachado. "Quero provocar uma discussão sobre o Brasil, este país que não gosta de si, mas foi subvertido por ela", explica Falabella. Para isso, nada foi poupado. Além de 15 cantores/atores no palco, dançando a mais pura música brasileira, um grupo de seis músicos tocam os arranjos acústicos de Josimar Carneiro, violão de sete cordas do grupo Água na Moringa, com bastante experiência em musicais brasileiros (esteve em Somos Irmãs e Crioula, sobre Elza Soares).Falabella avisa que ninguém deve esperar um espetáculo nos moldes da Broadway, a não ser pelo rigor e riqueza da produção (mais de 200 figurinos de Cláudio Tovar e cenário de Renato Lage, carnavalesco da Mocidade Independente de Padre Miguel) e o preparo técnico do elenco. Para tanto, eles ensaiam desde fevereiro e Cíntia Graber promete surpresas, além de Stella e Soraya, cujo desempenho já é consagrado. É bom estar atento a Ryta de Cássia, que vive a mãe de Carmem Miranda em seu primeiro personagem depois de anos como cantora cult, na carreira-solo ou como vocalista do grupo de samba Arranco de Varsóvia. Outro músico que vira ator nesse espetáculo é Luiz Carlos Avellar, que era o Big Avellar do grupo de rock dos anos 80 João Penca e seus Miquinhos Amestrados.Cíntia Graber, mais do que confiante em sua nova produção (que divide com José Carlos Furtado), tem planos para os filhotes que virão daí: além de disco com a trilha sonora, uma minissérie para televisão. Para isso, ela comprou os direitos de imagem da cantora e saiu atrás de patrocinadores. Levou mais de um ano e produziu o que deverá ser o ápice do festival Carmem Miranda em que o ano de 2001 está se transformando.Além de seu espetáculo, Eduardo Dusek lançou um songbook com as canções de Carmem Miranda e Ney Matogrosso viaja pelo Brasil com o show Batuque, com músicas dos anos 30 e 40, mais da metade do repertório da cantora. South American Way quer explicar para as novas gerações como uma brasileira se tornou a maior estrela do cinema americano há 50 anos.

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