Super-herói para não levar a sério

Sequência de Homem de Ferro tem diálogos irônicos, explosões e muitas referências para fãs de quadrinhos

Rafael Barion, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

Homem de Ferro 2 confirma o que o seu antecessor já sugeria: que o principal antagonista do super-herói da Marvel, hoje em dia não é nenhum dos inimigos que ele enfrenta na tela do cinema. É o Batman de Christopher Nolan. À seriedade e às pretensões analíticas de O Cavaleiro das Trevas, o diretor Jon Favreau contrapõe-se com a história de um herói vaidoso, debochado, exibicionista e politicamente incorreto.

Já era assim no primeiro filme, de 2008, que contava a origem do super-herói blindado. Mas ali ainda havia algum traço de seriedade: o fabricante de armas Tony Stark, vivido por Robert Downey Jr., se transformava no Homem de Ferro depois de ser sequestrado, no Afeganistão, e descobrir que os seus armamentos também estavam servindo a grupos terroristas.

A nova aventura, que chega hoje aos cinemas do País, não se preocupa em fazer esse tipo de comentário sobre o que está acontecendo no mundo. (Ainda que, em certo momento, uma piada aproxime Stark de Barack Obama.) Ela é puro deboche.

O filme anterior termina quando o fabricante de armas admite publicamente que é o Homem de Ferro. A sequência começa daí: o mundo inteiro está tentando copiar a sua armadura e o governo americano quer que ele a entregue ao exército.

Stark está ocupado demais com as suas exibições públicas - e com a sua saúde, que não vai bem - para se preocupar com isso. Mas começa a ter problemas quando surge o russo Ivan Vanko, o Chicote Negro, um personagem que tem relação com o passado de sua família e que quer se vingar do herói. Ele sabe construir versões rudimentares das armas de Stark - e até por isso o corpo maltratado de Mickey Rourke, que inventou um sotaque russo engraçado, era mesmo o ideal para encarná-lo.

Equipe de heróis. Rourke não é a única novidade no elenco. Há ainda Sam Rockwell, que interpreta um fabricante de armas que quer derrubar Stark - e passa a colaborar com Vanko. E Scarlett Johansson, uma agente que espiona o herói para Nick Fury (Samuel L. Jackson). Esta é a conexão do filme com o grande projeto da Marvel de juntar seus super-heróis em um único longa, Os Vingadores, anunciado para 2012. O que foi sugerido na aventura anterior fica agora mais claro: Fury está selecionando colaboradores para uma equipe que deve ter ainda Hulk, Thor e o Capitão América - cujo escudo faz "participação especial" no filme.

Tudo isso é material de sobra para entreter quem é fã desse universo. Mas se você só gosta de cinema, tem duas alternativas. Ou aproveita as cenas de ação que Favreau coreografou (como aquela em que o Chicote Negro retalha carros durante uma corrida em Mônaco). Ou, se isso também não lhe interessa, fica aguardando a próxima cena em que Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), a secretária e paixão platônica de Stark, vai aparecer.

Potts teve participação pequena no primeiro filme, mas ganhou uma função mais importante desta vez. Sorte sua: os melhores diálogos do longa acontecem quando ela e Stark dividem a cena. Nesses momentos fica claro que Justin Theroux pode ter mesmo talento para escrever roteiros. Você talvez o conheça por seu trabalho como ator - em filmes de David Lynch, como Cidade dos Sonhos ou Impérios dos Sonhos. Theroux sabe escrever diálogos: os de Homem de Ferro 2 são rápidos, irônicos, inteligentes. É o que dá graça ao filme.

Homem de Ferro 2

Nome original: Iron Man 2, Direção: Jon Favreau. Gênero: Ação (EUA/2010, 124 min). Censura: 12 anos

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