Suntuoso preto e branco

Há algo de misterioso - e belo - no preto e branco de Tetro. Confere ao filme uma aura. "O preto e branco, ao contrário do que muita gente pensa, não é ausência de cor. É preciso modular luz e sombra, claro e escuro para sugerir ao público que há um universo colorido além das imagens", explica Francis Ford Coppola. Seu novo filme se inscreve numa vertente que Coppola tem percorrido.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2010 | 00h00

Como Peggy Sue, Kathleen Turner viajou no tempo. Lembram-se? O tempo também se desdobra na saga da família Corleone em O Poderoso Chefão, mas, especificamente, Tetro parece encerrar a trilogia informal que começou com Jack e prosseguiu com Youth Without Youth. O filme do meio nem foi lançado nos cinemas brasileiros. São independentes, uns dos outros. O melhor é o terceiro.

Coppola concorda que Tetro é seu melhor filme em anos. Explica que há décadas queria contar essa história e que escrevê-la não foi difícil. Filmar foi mais complicado. Além de o tema não interessar aos estúdios, ele reconhece que o verdadeiro mistério de Tetro está no clima. "Seu eu tivesse errado o clima, seria um desastre", avalia.

Tetro integrou a seção Quinzena dos Realizadores em Cannes, no ano passado. É um filme "pequeno" e pessoal. Não era para concorrer à Palma de Ouro - que Coppola recebeu duas vezes, por A Conversação e Apocalypse Now. Mas esta crônica familiar sobre o amadurecimento de um jovem termina sendo muito mais do que o exercício de estilo de um grande autor.

Havia, em Cannes, na mesma seleção, outro filme em preto e branco que também se construía num clima particular, um tanto teatralizado - Independência, do filipino Raya Martin. Era a história de um filho e sua mãe na floresta. Aqui, é um filho à sombra do pai maestro e do meio-irmão, e como tudo isso se modifica. Freud, vindo em socorro de Coppola, torna mais complexo o que já não é simples.

Aos 71 anos, e 28 após abrir a via do digital em O Fundo do Coração, Coppola minimiza a técnica. Embora o filme que finaliza tenha cenas em 3-D, o formato não lhe interessa em particular. O ator, as palavras o inspiram. Vincent Gallo, como Tetro, e Alden Ehrenreich, como Benny, são a alma do filme.

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