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Sundance se reinventa e vai a Londres

Para organizador, cineastas devem entender que, com novas tecnologias, há várias maneiras de experimentar um filme

PEDRO CAIADO, ESPECIAL PARA O ESTADO / LONDRES, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2013 | 02h09

A versão londrina do festival americano Sundance pode não ter repetido a grandeza do parente americano, mas agitou a última semana celebrando o melhor do cinema independente. Enquanto alguns destaques curiosos do evento de Utah ficaram de fora desta edição - como Escape from Tomorrow, filmado ilegalmente dentro da Disney World -, o evento londrino trouxe uma seleção variada de 21 filmes, alem de vários curtas e debates nas dependências da enorme arena de shows O2, no sul de Londres. Em busca de uma linguagem própria, foram incorporados à versão britânica, eventos de música e painéis de discussão.

O desafio para o Sundance hoje em dia é concorrer com outros festivais, e com a própria internet, na tarefa de identificar pérolas do cinema não convencional. Diretor do evento, o americano John Cooper explicou ao Estado que, para se tornar um cineasta de sucesso hoje em dia, é preciso pensar globalmente. "Há uma mudança na maneira de vivenciar um filme e hoje não basta somente assisti-lo. Atualmente, há diferentes maneiras de experimentar uma produção."

Durante a abertura, o criador do Sundance, ha 35 anos realizado em Park City Utah, o ator e diretor Robert Redford, de 75 anos, comentou: "Nós viemos a convite, no ano passado, e aquela foi a nossa primeira aventura fora dos EUA. Deu certo e resolvemos voltar. Acreditamos que mudanças são positivas e inevitáveis e essa é a alma do Sundance". Redford defendeu também a importância de mais incentivos dos governos às artes - algo realizado pelo governo britânico. "No Reino Unido, há algo que não temos na América: incentivos do governo à cultura. O que nós temos lá é tão pequeno, que é chamado de subsídio", disse, em entrevista coletiva. "Na América, há um medo tão grande do governo de financiar as artes, que querem reduzir a categoria a quase nada. Mas esquecem que arte é algo essencial para a vida da sociedade", completou, afirmando com pessimismo. "O estado do cinema em geral atualmente não é muito saudável."

O Festival Sundance é conhecido por dar suporte criativo e financeiro a novos cineastas para o desenvolvimento de histórias para o cinema e o teatro. Quando Redford criou a organização para promover o cinema independente, a atitude foi considerada radical para uma estrela de Hollywood. Oportunidades de fazer e assistir filmes fora do esquema de estúdios eram raras em 1978, quando a primeira edição do Festival de Cinema Utah/US se iniciou. Alguns anos depois, o Instituto Sundance foi lançado para promover o cinema independente e passou a tomar conta do festival. Foi através do Sundance que diretores como Christopher Nolan (e seu Amnésia), Steven Soderbergh e ou Quentin Tarantino (com Cães de Aluguel), entre muitos outros, encontraram sucesso. Filmes pequenos conseguiram visibilidade, distribuição e até o reconhecimento da Academia, tornando o Sundance um dos principais celeiros de talentos. Nos últimos anos, porém, o espaço aberto às grandes estrelas e ao interesse dos grandes estúdios tem sido algo conflitante com a sua notória noção de independência.

No último ano o festival trouxe títulos que se tornaram bem sucedidos, caso do documentário Searching for Sugar Man (que ainda não estreou no Brasil) e Indomável Sonhadora (indicado ao Oscar deste ano). Fruitvale, filme vencedor do principal prêmio em janeiro último, já foi comprado por Harvey Weinstein e selecionado para o Festival Cannes, que acontece este mês.

Rio e Hong Kong - Em entrevista ao Estado em Londres, o diretor do festival, John Cooper, admitiu o interesse de levar o Sundance para o Rio. "Este é sim um grande interesse nosso no momento", disse, acrescentando que as opções estão entre as cidades do Rio e Hong Kong. Laboratórios do Instituto Sundance já foram realizados na Franca, Jordânia, Índia e México. No Sundance de Utah, Cooper foi responsável pelo lançamento de diferentes elementos que incrementaram o evento, como uma mostra de trabalhos com instalação de artistas e outra dedicada a filmes particularmente desafiadores. Cooper também articulou o estabelecimento de plataformas para o Sundance no YouTube, e em serviços como Netflix.

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