Suingue picotado

Alone Together, o primeiro disco solo do baterista Karriem Riggins, vai de Caetano Veloso a hip-hop abstrato, passeia por disco music e cita Samba de Uma Nota Só em questão de minutos. É uma jornada imprevisível e interessante, composta por mais de trinta vinhetas de cerca de um minuto e meio cada, que formam um pot pourri instrumental - ou uma refeição de tapas - de batidas sagazes. Riggins está longe de ser o óbvio beatmaker. Sua carreira de instrumentista tem credencias seriíssimas. Tocou com Paul McCartney, Common e Diana Krall. Dividiu o palco com Dizzy Gillespie e Oscar Peterson. Aprendeu com ninguém menos que Ray Brown. Mas sua experiência instrumental é secundária em Alone Together, e o resultado mostra que Riggins entende a diferença - não tão óbvia para alguém tão hábil em um só instrumento - entre tocar e produzir. O que se ouve é uma respeitável coleção de beats afro-estilizados, que, se em alguns momentos enrolam com excesso de conversas de estúdio, em outros desferem suingue sólido.

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h08

Alone Together é um clássico disco de aprendiz, na forma em que se baseia no estilo de um mestre. A técnica é derivada, sem parcimônia, do trabalho de J Dilla (que ganha um salve no fim do disco), o brilhante produtor de hip-hop abstrato, morto em 2006, que influenciou toda a geração contemporânea de beatmakers. Como nos discos de Dilla, as faixas são curtas, compostas por uma ou duas partes, amarradas por recortes aleatórios, tingidas por sintetizadores. Ao cerne estão batidas viscosas. Hip-hop puro sangue, direto de Detroit.

KARRIEM RIGGINS

ALONE TOGETHER

Stones Throw

Preço:

US$ 9,99

(iTunes)

BOM

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