Suíça homenageia Hermann Hesse

Pouco depois de ser publicado em 1919, por um autor até então desconhecido e denominado Emil Sinclair, o romance Demián ganhou um importante prêmio literário, reservado aos escritores iniciantes. Porém, o ganhador do prêmio o devolveu, porque estava muito longe de ser um dos mais lidos em língua alemã.Agora, ao completar-se 125 anos de seu nascimento, a vida e a obra do poeta e romancista Hermann Hesse, nascido na Alemanha e radicado na Suíça são tema de conferências e outros eventos em todo o mundo.As principais comemorações ocorrem em Calw, a pitoresca população da Floresta Negra, onde Hesse nasceu em 2 de julho de 1877, e em Zurich, sua pátria adotiva, onde escreveu toda sua prosa ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1946.Uma exposição das primeiras edições de seus livros, textos, cartas e presentes foi montada no Museu Nacional Suíço, com o título de Viagem infernal através de mim mesmo - uma frase escrita por Hesse em 1924, quando produzia um curriculum vitae, referindo-se às décadas de luta para superar uma série de crises pessoais.A exposição faz referência a dois romances fundamentais do escritor: Sidartha e O Lobo da Estepe.Dois revólveres presos em uma parede recordam os pensamentos suicidas que Hesse começou a ter na adolescência. O escritor comprou sua primeira pistola aos 15 anos de idade, em uma clínica para doentes mentais onde seus pais o haviam internado por ter fugido de um seminário protestante.Ao lado das armas aparece uma carta em que o jovem acusa seu pai de tê-lo privado da "alegria de viver". Na carta, o futuro escritor refere-se ao pai como "o senhor Hesse".Assim como explica em seu curriculum vitae, já por aqueles dias teria decidido ser poeta. Seu primeiro romance, Peter Camenzind foi publicado quando Hesse tinha apenas 27 anos e foi um grande sucesso de crítica e público, assim como sua segunda obra, Demián. Mas, durante a maior parte de sua carreira, Hesse viveu atribulado pela dúvida e pelo desespero. Dois casamentos pouco felizes contribuíram para seus problemas. A mostra registra o fato de o escritor ter buscado ajuda da psicanálise e ter realizado cerca de 70 sessões de análise com um discípulo de Carl Gustav Jung.As teorias de Jung e Freud influenciaram decisivamente as obras de Hesse, que muitos consideram autobiográficas. O autor "atravessa este túnel infernal... escreve sobre suas crises e assim, ao mesmo tempo, as supera", escreve sua biógrafa Eva Zimmermann, em um livro de 250 páginas que está na exposição.Durante quase um ano uma de suas piores crises o impediu de concluir Sidartha, uma obra baseada na juventude de Buda, que reflete seus estudos das filosofias indianas e chinesas. Em compensação, com a redação de O Lobo da Estepe, seu romance sobre um indivíduo solitário e rebelde, Hesse viveu uma relativa paz, segundo Zimmermann.A publicação de O Lobo... quando Hesse tinha 50 anos pode ser considerada como um final simbólico de sua viagem infernal, disse Zimmermann.Hesse chegou a pensar em trocar a pena pelos pincéis e dedicar-as à pintura. A mostra inclui cerca de 20 de suas quase 3 mil aquarelas compostas de paisagens, em sua maioria. Hesse também escreveu mais de 35 milcartas ao longo de sua vida, muitas das quais encontram-se no museu.Poucas vezes Hesse saiu de seu retiro na pequena aldeia onde morava e conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 1946 por seus "textos inspirados que ilustram os ideais humanitários clássicos e a elevada qualidade de seu estilo". O escritor, que já padecia de problemas nos olhos, recusou-se a assistir à cerimônia de entrega do prêmio em Estocolmo, devido à saúde debilitada. Em 1947 recebeu um doutorado honorário da Universidade de Berna e em 1955 o Prêmio da Paz dos livreiros alemães. Em 9 de agosto de 1962, Hermann Hesse morreu de uma hemorragia cerebral enquanto dormia em sua casa. Site na Internet: http://www.hesse2002.de/englisch/frames.htm Museu Hesse de Montagnola: http://www.hessemontagnola.chO aniversário de nascimento do Prêmio Nobel de Literatura de 1946 é comemorado na Suíça com exposição de sua obra no Museu Nacional Suíço, além de seminários e eventos que marcam o ano HessePouco depois de ser publicado em 1919, por um autor até então desconhecido e denominado Emil Sinclair, o romance Demián ganhou um importante prêmio literário, reservado aos escritores iniciantes. Porém, o ganhador do prêmio o devolveu, porque estava muito longe de ser um dos mais lidos em língua alemã.Agora, ao completar-se 125 anos de seu nascimento, a vida e a obra do poeta e romancista Hermann Hesse, nascido na Alemanha e radicado na Suíça são tema de conferências e outros eventos em todo o mundo.As principais comemorações ocorrem em Calw, a pitoresca população da Floresta Negra, onde Hesse nasceu em 2 de julho de 1877, e em Zurich, sua pátria adotiva, onde escreveu toda sua prosa ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1946.Uma exposição das primeiras edições de seus livros, textos, cartas e presentes foi montada no Museu Nacional Suíço, com o título de Viagem infernal através de mim mesmo - uma frase escrita por Hesse em 1924, quando produzia um curriculum vitae, referindo-se às décadas de luta para superar uma série de crises pessoais.A exposição faz referência a dois romances fundamentais do escritor: Sidartha e O Lobo da Estepe.Dois revólveres presos em uma parede recordam os pensamentos suicidas que Hesse começou a ter na adolescência. O escritor comprou sua primeira pistola aos 15 anos de idade, em uma clínica para doentes mentais onde seus pais o haviam internado por ter fugido de um seminário protestante.Ao lado das armas aparece uma carta em que o jovem acusa seu pai de tê-lo privado da "alegria de viver". Na carta, o futuro escritor refere-se ao pai como "o senhor Hesse".Assim como explica em seu curriculum vitae, já por aqueles dias teria decidido ser poeta. Seu primeiro romance, Peter Camenzind foi publicado quando Hesse tinha apenas 27 anos e foi um grande sucesso de crítica e público, assim como sua segunda obra, Demián. Mas, durante a maior parte de sua carreira, Hesse viveu atribulado pela dúvida e pelo desespero. Dois casamentos pouco felizes contribuíram para seus problemas. A mostra registra o fato de o escritor ter buscado ajuda da psicanálise e ter realizado cerca de 70 sessões de análise com um discípulo de Carl Gustav Jung.As teorias de Jung e Freud influenciaram decisivamente as obras de Hesse, que muitos consideram autobiográficas. O autor "atravessa este túnel infernal... escreve sobre suas crises e assim, ao mesmo tempo, as supera", escreve sua biógrafa Eva Zimmermann, em um livro de 250 páginas que está na exposição.Durante quase um ano uma de suas piores crises o impediu de concluir Sidartha, uma obra baseada na juventude de Buda, que reflete seus estudos das filosofias indianas e chinesas. Em compensação, com a redação de O Lobo da Estepe, seu romance sobre um indivíduo solitário e rebelde, Hesse viveu uma relativa paz, segundo Zimmermann.A publicação de O Lobo... quando Hesse tinha 50 anos pode ser considerada como um final simbólico de sua viagem infernal, disse Zimmermann.Hesse chegou a pensar em trocar a pena pelos pincéis e dedicar-as à pintura. A mostra inclui cerca de 20 de suas quase 3 mil aquarelas compostas de paisagens, em sua maioria. Hesse também escreveu mais de 35 milcartas ao longo de sua vida, muitas das quais encontram-se no museu.Poucas vezes Hesse saiu de seu retiro na pequena aldeia onde morava e conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 1946 por seus "textos inspirados que ilustram os ideais humanitários clássicos e a elevada qualidade de seu estilo". O escritor, que já padecia de problemas nos olhos, recusou-se a assistir à cerimônia de entrega do prêmio em Estocolmo, devido à saúde debilitada. Em 1947 recebeu um doutorado honorário da Universidade de Berna e em 1955 o Prêmio da Paz dos livreiros alemães. Em 9 de agosto de 1962, Hermann Hesse morreu de uma hemorragia cerebral enquanto dormia em sua casa. Visite os sites na Internet: http://www.hesse2002.de/englisch/frames.htm Museu Hesse de Montagnola: http://www.hessemontagnola.ch

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