Switzerland Tourism/Divulgação
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Suíça é um convite à vida ao ar livre - nas trilhas, nos lagos e nas modernas ferrovias

Quando a temperatura aumenta e os dias ganham mais horas de sol, o país entra em clima de celebração

Olívia Fraga, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2012 | 21h40

INTERLAKEN - "Quanto falta para chegar lá embaixo?", pergunta o repórter que nos acompanha na descida do Eiger, uma das principais montanhas dos Alpes, na Suíça. Ante a impertinência da pergunta, qualquer suíço ergue as pestanas, em sinal de surpresa. "Uns dois quilômetros. Vamos andando", sentencia a guia, polida e irritada ao mesmo tempo.

O cansaço do grupo ganha um divertido contraponto: por nós já passaram, subindo e sorrindo, casais de meia-idade, crianças correndo e colhendo flores, jovens animados com a visão da trinca de montanhas que nos escolta. São elas que obrigam o grupo a dar as costas e tornar a mirá-las, muitas vezes.

O país do relógio e da precisão vai se irritar com quem tem pressa. A Suíça pede calma. Por isso, caminhar é profissão de fé de quem vive ali. O país não cansa de se olhar, tranquila e folgadamente. O narcisismo suíço encontra sua epítome em Oberland, as Highlands suíças, no cantão de Berna, a capital. Interlaken, seu destino principal, é o perfeito clichê dos cartões-postais e folhinhas de calendário: cravada no vale entre os lagos Thun e Brienz, está ainda cercada de montanhas geladas e colinas verdes. Cada olhar comprime paisagens rurais de uma beleza nada sutil. Toda paisagem suíça é linda, ponto. O que se pode fazer?

A região foi importante estação de inverno dos endinheirados no fim do século 19. "Se você não conhece Interlaken, você não conhece a Suíça", escreveu certa vez o compositor alemão Felix Mendelssohn. Lord Byron e Goethe também passaram - e se inspiraram - por ali. Talvez por isso, a cidadezinha de 15 mil habitantes guarde ainda a aura belle époque de então, com seus hotéis de fachada neoclássica, nomes pomposos e uma estreita conexão com exploradores ingleses da era vitoriana - os primeiros desbravadores das montanhas Eiger, Mönch e Jungfrau, que estão entre as mais altas da Europa.

Visitada por milhões de turistas, Interlaken é a cidade que tem melhor infraestrutura e clima que não assusta o turista, mesmo durante o inverno. Mas há joias cravadas nos sopés das montanhas, como Grindelwald, Wengen, Lauterbrunnen. Mürren, com (caras) opções de hospedagem e boa gastronomia. De lá, partem excursões para a prática de esportes no gelo.

Na estrada. De uns tempos para cá, a Suíça, frequentemente associada ao turismo nos meses de inverno, viu explodir o interesse pelas caminhadas, algo que já estava ali, na alma dos nativos. Ela é, hoje, um país de trilhos e de trilhas, pronta para agradar tanto a quem quer o conforto dos trens quanto aos que preferem chegar a pé.

Por isso, o cantão de Berna vale ser visitado também durante o verão, quando os campos estão floridos e as temperaturas são mais amenas. Você não se sentirá sozinho nem perdido: a região tem cerca de 10 mil quilômetros de trilhas demarcadas no chão - as amarelas, para serem percorridas o ano todo, e as cor-de-rosa, acessíveis apenas no inverno, com ajuda de equipamento adequado.

E, onde não se chega a pé, os suíços dão um jeito: há funiculares, trens, teleféricos. Prepare as botas de trekking: na Suíça, há sempre um novo caminho para ser explorado.

Sob o sol

Se você acredita que a Suíça é para ser vista apenas na alta temporada, durante o inverno europeu, repense. É claro que, para passear pelos lagos congelados e esquiar será preciso esperar pelos dias frios. Mas outras atrações, como as trilhas para bicicleta da região de Interlaken (são mais de 160 quilômetros) e os voos de asa-delta e paraglider, passeios muito procurados, ficam comprometidos sob a neve. Há motivos de sobra para ir no verão.

De 1º de maio a 21 de outubro, um passe especial do centenário da Jungfraujoch permite viagens ilimitadas por todas as linhas da via férrea, durante três dias. Informações: jungfrau.ch.

Localizada ao longo do lago de mesmo nome, Lucerna também é base para explorar trilhas. E a cidade, inserida em meio às montanhas, é puro charme.

Festa e muita música ao ar livre

Quando as temperaturas sobem e os dias ganham mais horas de sol, os suíços querem aproveitar o maior tempo possível ao ar livre. Assim que começa a primavera, Interlaken recebe uma série de concertos e espetáculos ao ar livre. 

Entre os principais eventos deste ano, o Greenfield Festival (greenfieldfestival.ch) reúne bandas como Offspring, Limp Bizkit, The Hives e Sepultura, além de grupos locais, de 15 a 17 de junho. Os ingressos ainda não estão à venda. De julho a setembro, ocorre também o Timeless Swissness e Timeless Jazz, sem data definida, com shows gratuitos. 

Encenado em um teatro ao ar livre em Matten, cidade vizinha a Interlaken, o clássico William Tell (tellspiele.ch) ganha status de superprodução, com mais de 180 atores e animais vivos no palco - como vacas e cavalos. O espetáculo é repetido há 90 anos - ingressos desde 58 francos suíços (R$ 116).

Saiba mais

Aéreo: o trecho São Paulo - Zurique - São Paulo, sem escalas, custa R$ 2.183 na Swiss (swiss.com). Com conexão, R$ 2.275 na Lufthansa (lufthansa.com.br). Já a passagem ida e volta para Berna, com conexão, custa desde R$ 2.476 na KLM (klm.com) e R$ 2.516 na TAM (tam.com.br).

Moeda: 1 franco suíço vale R$ 2.

Pacotes: confira opções no Blog do Viagem: blogs.estadao.com.br/viagem.

* A repórter viajou a convite do Switzerland Tourism e da Swiss Air.

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