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Sucesso no teatro, 'Deus da Carnificina' chega ao cinema

Filme dirigido por Roman Polanski tem Kate Winslet, Jodie Foster, Christoph Waltz e John C. Reilly

FELIPE BRANCO CRUZ - Jornal da Tarde,

06 de junho de 2012 | 14h54

Baseado numa peça teatral homônima da dramaturga francesa Yasmina Reza, o filme Deus da Carnificina, que estreia nesta quinta-feira, consegue transpor para a tela o mesmo impacto que o espetáculo tem nos palcos. Aliás, aqui no Brasil, o texto ganhou montagem com Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti, que já passou por São Paulo e continua rodando o País.

No cinema, o título é dirigido por Roman Polanski e tem, assim como no original, quatro pessoas no elenco: Kate Winslet (Nancy), Jodie Foster (Penélope), Christoph Waltz (Alan) e John C. Reilly (Michael). O cenário é um só: a residência do casal interpretado por Jodie e Reilly, localizado em Nova York (na realidade, o filme foi rodado em Paris, já que o diretor não pode pisar nos Estados Unidos, onde responde por um processo de abuso sexual de uma menor de idade).

E é em um curto espaço de tempo que o quarteto mostra todo o seu talento. Também não é para menos: todos os atores e o diretor, juntos, somam cinco Oscar e 12 indicações. Jodie Foster ganhou duas vezes o prêmio de melhor atriz: em 1989, por Acusados, e 1992, por Silêncio dos Inocentes. Waltz foi o melhor ator coadjuvante em 2009 por Bastardos Inglórios. Kate Winslet levou o troféu de melhor atriz em 2009 por O Leitor. E Polanski foi eleito o melhor diretor em 2003 por O Pianista.

O forte de Deus da Carnificina são os diálogos travados entre os casais, recheados de ironia e, em alguns momentos, de pura agressão verbal. A trama é desencadeada por dois garotos que brigaram. Os pais dos dois se encontram para um pedido formal de desculpas, sem a presença dos meninos. Logo fica claro que o motivo de tanta discussão - regada a charutos e uísque - não são os jovens e, sim, as neuroses dos mais velhos.

A princípio, a educação e a civilidade imperam, com os pais do garoto agredido recebendo em sua casa os pais do agressor. Depois de todas as formalidades, quando o casal está indo embora, o outro o convida para ficar mais um pouco, comer um bolo e tomar um café. A partir daí, mais relaxados, os quatro começam a debater mais profundamente sobre a briga dos meninos - e vêm à tona diferenças sociais e comportamentais bem mais profundas. Ora machistas por parte dos pais, ora feministas por parte das mães.

Os pais do agressor são Kate Winslet, que vive uma corretora de imóveis, e Waltz, que interpreta um advogado de uma empresa de medicamentos. Da outra parte, Jodie é uma escritora ativista dos países pobres da África e seu marido, um vendedor de materiais de construção.

A todo momento, a questão que paira é: tudo isso não poderia ter sido evitado se cada um dos casais mantivesse o foco apenas na discussão sobre a briga dos filhos? O problema é que o telefone celular de Waltz nunca para de tocar, enquanto Reilly adora falar da vida pessoal e inclui na conversa a forma perversa como largou o hamster da filha num bueiro de esgoto, porque "todo rato gosta de esgoto", entre outras pérolas.

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