FABIO MOTTA / ESTADÃO
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Sucesso no cinema, 'Se Eu Fosse Você' vai virar musical

Montagem dirigida por Guto Graça Mello terá Nelson Freitas e Claudia Ohana

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2014 | 20h04

Glória Pires e Tony Ramos atraíram mais de dez milhões de pessoas ao cinema com os dois filmes da comédia Se Eu Fosse Você (de 2006 e 2009). Levada ao teatro, a história do casal que troca de lugar e experimenta as dores de ser o outro agora está nas mãos de Cláudia Ohana e Nelson Freitas. Ela não vai apenas assumir os trejeitos masculinos e ele, depilar-se e nadar tal qual Esther Williams: a dupla também terá de cantar, já que se trata de um espetáculo musical.

A adaptação do roteiro original (assinado por Adriana Falcão, Daniel Filho, Renê Belmonte e Carlos Gregório) foi entregue ao dramaturgo Flávio Marinho, que chama a montagem de “comédia romântica com música”. Ele costurou as peripécias de Helena e Cláudio com o repertório de sucessos de Rita Lee. Inusitada, a ideia foi trazida por Daniel Filho, diretor dos filmes e supervisor artístico da peça. Ele convidou para o cargo de diretor do musical o experiente produtor Guto Graça Mello, responsável por quatro LPs de Rita no fim dos anos 70 e início dos 80.

“Esse projeto é tão ou mais complicado do que o do filme: é pegar um texto que não tem nada de música e fazer dele um espetáculo musical. Eu pensei em dirigir, só que não poderia me dedicar diante de todos os compromissos assumidos. Mas vou estar presente, atento, enchendo o saco”, disse Daniel ao elenco na terça-feira, dia do primeiro encontro de toda a equipe. A direção foi passada ao coreógrafo Alonso Barros.

A reunião, que serviu para os atores/cantores/bailarinos se inteirarem do projeto e conhecerem todos os envolvidos, foi no Oi Casagrande, no Leblon, onde a peça estreia, dia 21 de março. Duas mil pessoas participaram das audições para se chegar aos 19 nomes do elenco de apoio.

Na porta do teatro, sem ter ideia do que já estava sendo gestado lá dentro, dezenas de espectadores esperavam diante da bilheteria, sob sol quente, para comprar ingressos para Elis – A Musical, fenômeno que vem registrando 100% de ocupação desde sua estreia, em novembro passado.

Orçada em R$ 8 milhões, a peça é da mesma Aventura, mais prolífica produtora de musicais do País, e integra a chamada “trilogia brasileira” que se segue à sequência de remontagens da Broadway na qual a empresa tem investido. A terceira produção será Velho Guerreiro – O Musical, sobre Chacrinha.

Confiando no poder da franquia e no fato de a estreia ser imediatamente depois do encerramento da temporada carioca de Elis (a chegada ao Teatro Alfa está marcada para o dia 14 de março), o produtor Luiz Calainho afirmou não ter dúvidas de que o público que canta e chora com a biografia da Pimentinha vai voltar para rir em Se Eu Fosse Você. “A gente vem na esteira da Elis. Tenho absoluta convicção de que o sucesso não vai ser um milímetro a menos.”

Não se trata de um êxito óbvio. Apesar do despeito de parte da crítica, o filme – que ainda poderá ter mais uma sequência – tem dois dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira e forte apoio da Globo Filmes, o que significou propaganda maciça na TV. Já a peça precisa resolver bem o casamento do texto com os hits de Rita Lee.

“Adaptar foi um exercício de humildade e ourivesaria. Eu tinha dois roteiros de filme e o repertório da Rita para fazer algo orgânico. Falam que é como Mamma Mia, mas não é! Lá tinha toda a obra do Abba e casava com a história. Aqui as músicas não tinham nada a ver com a história. Eu não queria escrever algo como ‘Ah, hoje eu estou me sentindo como uma rainha dançante!’ e aí entra Dancing Queen”, brincou Flávio Marinho. “É algo que deu muito certo no cinema, e poderíamos pensar: para que mexer em time que está ganhando? Mas temos todos os ingredientes. Elis que se cuide!”

Ambos com experiência no gênero, Nelson Freitas e Cláudia Ohana já fizeram um par na TV e queriam se reencontrar no teatro. “Estava louco para participar de um musical. Há dez anos só faço stand-up”, contou Freitas, que ressaltou o risco da comparação com o casal do cinema. “Existe essa possibilidade, mas o público de teatro sabe que é uma outra coisa.” Os dois estavam bem animados ao se ver pela primeira vez por motivo da montagem. “Queria muito trabalhar com o Nelsinho. Ele canta muito, é um absurdo”, disse Cláudia.

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