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Sucesso, aqui vou eu

São inúmeros textos sobre esse assunto na internet, redes sociais, impressos. Mais democrático. Prefiro

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2018 | 02h00

Essa semana muita coisa aconteceu. Sempre acontece. Mas, a velocidade que estamos vivendo com redes sociais, internet, nossos carros e escolhas torna rapidamente obsoletas várias das coisas que eu gostaria de escrever em uma coluna semanal. Essa percepção me deu uma certa agonia, mas que seja rápido, então.

São inúmeros textos sobre esse assunto na internet, redes sociais, impressos. Mais democrático. Prefiro. Nego do Borel, o mainstream, quanto vale um like? O que um artista faz por isso? Vale tudo nesse mundo? Vale tirar foto com candidato homofóbico e beijar um rapaz na boca? Ou o público não deixa mais passar? A coerência passa longe, mas acho que esses não passarão. 

Teve um tempo, lá no começo dos anos 2000, que as gravadoras deixaram de ser as únicas mandantes no mundo da música. Até então, ser independente era uma escolha muito ousada. Muito mesmo. Eram as grandes empresas que determinavam o que tocava, o que não tocava, o que gravava, o que vendia... e no final do século 20 elas ficaram mais fracas. O mercado independente se fortaleceu e os artistas passaram a ser mais responsáveis por suas carreiras, inventando modos de lançar, produzir, jogar na internet, disponibilizar gratuitamente ou não. Muito se falou e muito foi feito nesse mundo. Mainstream e independente eram quase inimigos, jogavam em campos opostos. 

O tempo passou. As gravadoras passaram a entender seus novos lugares e os independentes passaram a almejar um lugar com um pouco mais de público e estrutura, um tal midstream (que ainda está sendo criado e procurado). A troca começou a ser maior. Anitta, que, em outros tempos, poderia ser chamada de uma artista de mainstream que aos indies não tem nenhum valor, virou um exemplo de empresária e artista de sucesso, e ainda assim grava com Silva. Artistas independentes gostariam de estar no Faustão, ou quem sabe até no Só Toca Top (confesso que fazia tempo que não via um nome tão ruim para um programa – talvez ainda seja indie demais). Artistas do mainstream tocam em festivais mais do mundo indie como Pabllo Vittar no Bananada. Emicida apresenta programa no GNT, Luan Santana grava com Tiê, Tim Bernardes gostaria de cantar com Marília Medalha e por aí vai.

A troca está mais estabelecida e a música só ganha com isso.  O clipe do Nego do Borel da música Me Solta é, então, lançado pelo KondZilla, o maior canal do Brasil no YouTube – a nova ordem do mainstream – que é um diretor e roteirista que começou de maneira independente no Guarujá. Eu escuto e não paro de cantar, gosto do som, uma música superpopular. Aí no videoclipe tem a Nega da Borelli, o cantor de saia e salto alto, fazendo uma personagem caricatura para representar um homossexual. Como pano de fundo, ele tinha lá atrás tirado uma foto com um candidato fascista e homofóbico. Talvez para tentar ganhar um público perdido esse clipe? Apanha de todos os lados e os milhões de views não param de crescer. Sabe aonde você tá? Numa nova forma de sucesso. 

Festa da semana

Som a Pino completa dois anos no ar na Rádio Eldorado, amanhã. Muitos lançamentos, mais de 500 programas, ou seja, mais de 500 horas de música brasileira no rádio. Foram discos lançados, papos sobre o mercado da música, processo artístico, criação, a importância da arte, tudo com transmissão pelo Facebook e ainda telefone aberto toda sexta com participação dos ouvintes. Dois anos de construção conjunta. Viva! 

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