"Submarino Amarelo" ganha nova tradução

Quando Submarino Amarelo (Yellow Submarine) foi lançado em 1969, pediram ao jornalista Nelson Motta uma tradução para o libreto com a historinha gráfica. Ele barbarizou na tradução, usando a noção de "transcriação" de Haroldo de Campos. Pepperland virou "pilantrália". Os homenzinhos azuis que invadem o reino são os Azulões. O submarino virou simplesmente "sub". Era a Alice no País das Maravilhas dos malucos-beleza da era hippie. Trinta e cinco anos depois, o mundo definitivamente encaretou. A editora Melhoramentos relança esta semana o libreto do filme, em forma de álbum infantil. O tradutor, Fernando Nuno, chama os Azulões de Maldosos Azuis. A transcriação era muito mais adequada àquela era de desbunde e do ideário de Paz & Amor. Os homenzinhos azuis que invadem o feliz reino de Pepperland (ou Pilantrália) odeiam música. Mas, no decorrer da história, serão vencidos pelo ritmo. Era o poder da flor convencendo os espíritos hostis. Submarino Amarelo é quase uma lenda, um mito da "antiguidade" roqueira. Por isso, a utilidade do relançamento do álbum gráfico para um público ainda mais jovem. É mais um lance da eterna reapresentação dos Beatles às novas gerações. "A luz traz a paz, derrota a escuridão. Fujam, coisas más, a flor vence o canhão", previu o esquisito personagem Jeremias Hilário Boob, poliglota classicista, botânico, satirista mordaz, bombeiro de meio período e escritor de livros em brochura. O grande artífice de Submarino Amarelo, o filme, foi o produtor Al Brodax, que lutou contra a indiferença e as condições adversas para realizar seu sonho. Brodax realizou o filme com base em uma história original de Lee Minoff, segundo a canção de Lennon e McCartney. Os desenhos originais são de Heinz Edelman. Na versão atual, os desenhos de Edelman são retrabalhados no novo projeto gráfico, feito por Fiona Andreanelli. A diagramação é de Eduardo Bordalo.

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