Suave Madeleine já corteja o atrito

ÓTIMO

Crítica: Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

Madeleine não é mais a mesma. Está mais barulhenta, estridente, funky. Pouco sobrou da diva jazzy das baladas acústicas (nelas, ainda é a excelência em pessoa).

O fato é que ela está dando uma guinada na carreira. No show que fez anteontem no Teatro Bradesco, a cantora americana Madeleine Peyroux mostrou quatro músicas novas que vão integrar um disco que ainda prepara - Standin" on the Rooftop, The Kind You Can"t Afford, Ophelia e Wild Card in the Hole (essa última uma desconhecida composição do pai da canção folk americana, Woody Guthrie). Apontam para uma pegada de funk e rock, solos de guitarra, duelos entre voz e metal. Standin" on the Rooftop é fogo no telhado, com o solo de trompete turbinado de Ron Miles (sideman de Bill Frisell). The Kind You Can"t Afford é uma guitar ballad. "Essa música é sobre uma pessoa rica falando com uma pessoa pobre a respeito do que ela não possui. Podem imaginar isso?" Na novíssima banda, destaca-se o órgão Wurlitzer do pianista Gary Versace. Ela tocou 16 temas, metade deles ultrafunkeada. Mas começou em carícias, abrindo com o coté Billie Holiday que a imortalizou em I Hear Music. Disse à plateia que iria alternar "canções de amor e de bebida". Sabe da reputação dor de cotovelo, e zomba disso. "Essa é uma canção feliz. A única que eu tenho", brincou, após cantar Instead. A partir de agora, além de melancólica, ela soa deliciosamente nervosa.

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