Suassuna, por Guel, e a bela Barsotti

O Auto da Compadecida

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2012 | 03h08

15H50 NA GLOBO

Brasil, 1999. Direção de Guel Arraes, com Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Denise Fraga, Diogo Vilela, Marco Nanini, Fernanda Montenegro.

O longa que Guel Arraes adaptou da peça de Ariano Suassuna nasceu como projeto para TV (uma microssérie) e cinema e conta a história de João Griló e Chicó. O primeiro, mais esperto, arrasta o outro em aventuras que culminam no julgamento no céu, quando a própria Nossa Senhora intervém junto ao Filho em favor deles. Grande (e inteligente) direção - e um elenco em estado de graça, com perfeito timing de comédia (um tonzinho acima, para realçar a farsa). Reprise, colorido, 104 min.

Crepúsculo

22H20 NA GLOBO

(Twilight). EUA, 2008. Direção de Catherine Hardwicke, com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Cam Gigandet.

O primeiro filme adaptado da série de livros de Stephanie Meyer virou um fenômeno mundial e lançou Robert Pattinson e Kristen Stewart como ídolos teen - ela está muito bem em Na Estrada, em cartaz nos cinemas (e que marca uma reviravolta em sua carreira). Ele vem aí em Cosmópolis, de David Cronenberg, que estreia em agosto (e que vai ser muito cabeça para seu público habitual). Kristen faz Bella, que vive com o pai xerife, num lar desfeito. Ela se envolve com o colega, cuja família na verdade é um clã e ele é... vampiro. O romantismo exacerbado da trama foi que seduziu o público-alvo, mas o resultado talvez não fosse o mesmo se a diretora Catherine Hardwicke não tivesse selecionado o elenco certo - e Kristen e Pattinson têm tanta química que iniciaram um romance fora da tela. Reprise, colorido, 120 min.

Sem Controle

2H40 NA GLOBO

Brasil, 2007. Direção de Cris D'amato, com Eduardo Moscovis, Milena Toscano, Vanessa Gerbelli, Dirce Migliaccio, Mariana Bassoul, Edmilson Barros.

Diretor de teatro obcecado pelo caso que desencadeou o debate sobre a pena de morte no País - o do fazendeiro Manoel Da Motta Coqueiro - monta espetáculo com internos de um instituto psiquiátrico. Ele próprio faz o acusado e, quando os limites entre real e imaginário se embaralham, a coisa, como diz o título, fica fora de controle. O filme, que teve público modesto nas salas - 24 mil espectadores -, pode multiplicar agora sua audiência. Mas o Du Moscovis que o público vai ver não é o de Louco por Elas. No teatro e no cinema, ele ousa - e, como Cauã Reymond, escolhe papéis que não tenham a ver com a imagem de galã das novelas. Inédito, colorido, 90 min.

David Bailey - Compasso Quaternário e Nenhuma Trapaça

0 H NA CULTURA

(David Bailey - Four Beats To the Bar and no Cheating). França, 2010. Direção de Jérôme de Missoltz.

Ícone dos anos 1960, o fotógrafo de moda David Baily (da Vogue) virou celebridade na época. Foi amigo de Roman Polanski e Mick Jackson, passou pela cama de suas musas (Catherine Deneuve e Jean Shrimpton), e inspirou o David Hemmings em Blow-Up, Depois Daquele Beijo, a obra-prima de Michelangelo Antonioni sobre a chamada 'Swinging London'. Bailey virou cineasta, escultor e pintor. Pode ser que o média-metragem do francês Missoltz não dê conta da totalidade do personagem, mas o próprio Bailey, aos 70 e tantos anos, volta-se para o próprio passado (e presente). O título, aparentemente enigmático, o filia na vertente de Countie Basie. Bailey faz sua arte como Basie encarava o jazz. Reprise, colorido, 52 min.

TV Paga

O Tesouro de Sierrra Madre

14 H NO TCM

(The Treasure of Sierra Madre). EUA, 1948. Direção de John Huston, com Humphrey Bogart, Tim Holt, Walter Huston, Bruce Bennett, Barton MacLane, Alfonso Bedoya.

Três aventureiros procuram ouro na montanha do título, enfrentando bandidos mexicanos e terminando por se destruir entre si (por causa da cobiça). O clássico que John Huston adaptou do romance de B. Traven oferece uma súmula da obra do diretor - com seus personagens que buscam algo que nunca alcançam. A mesma ideia aparece em O Homem Que Queria Ser Rei, melhor ainda, que acaba de ser resgatado em DVD e Blu-Ray. O cartaz do TCM ganhou os Oscars de direção, roteiro (Huston) e ator coadjuvante (Walter Huston, pai do cineasta). Perdeu os de filme e ator, que foram para Hamlet, de Laurence Olivier. Reprise, preto e branco, dublado, 124 min.

Eu Transo, Ela Transa

0H15 NO CANAL BRASIL

Brasil, 1972. Direção de Pedro Camargo, com Jorge Dória, Sandra Barsotti, Daisy Lúcidi, Marcos Paulo, Sady Cabral, Darlene Glória, Fernando Torres, Rodolfo Arena.

Jorge Dória foi o melhor ator para os críticos da APCA por seu papel neste filme. O personagem é digno de Nelson Rodrigues - o pai de família que acolhe em casa a amante do chefe, criando um imbróglio familiar. O filme está naquele limite em que a comédia de costumes começava a virar pornochanchada, sem perder a capacidade de observação. Tem a cara do cinema nacional da época - e Sandra Barsotti era uma musa. Mas, apesar das qualidades, o diretor Camargo não é digno de figurar na edição revista e aumentada da Enciclopédia do Cinema Brasileiro, já nas livrarias. Reprise, colorido, 100 min.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.