Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Suassuna é lembrado com carinho e reverência por colegas e amigos

Veja a repercussão da morte do escritor, que aconteceu nesta quarta-feira, 23

O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2014 | 18h53

Atualizado às 22h30.

O escritor Ariano Suassuna morreu nesta quarta-feira, 23, no Recife, depois de três dias internado no Real Hospital Português.

Amigos, colegas, profissionais do meio cultural e a presidente Dilma Roussef lembraram o escritor com carinho e reverência. Veja:

Dilma Roussef, presidente:

"O Brasil perdeu hoje uma grande referência cultural, Ariano Suassuana. Ele foi capaz de traduzir a alma, a tradição e as contradições nordestinas em livros como Auto da Compadecida e A Pedra do Reino. A obra de Suassuna é essencial para a compreensão do Brasil. Guardo comigo ótimas recordações de nossos encontros e das suas histórias."

Silviano Santiago, escritor e crítico literário:

"Sou um antigo leitor de Suassuna. Em 1975, Paulo Rónai me convidou para fazer a Seleta em Prosa em Verso do Suassuna, que está aí até hoje. Sempre admirei seu teatro. Eu achava que ele abria um diálogo com as forças populares do Brasil. Sua obra teve uma carreira muito bonita e que virou filme, novela, peça."

Antunes Filho, diretor teatral, responsável pela encenação de A Pedra do Reino:

"Dolorosa notícia a morte de Ariano Suassuna, que considero, ao lado de Nelson Rodrigues, um dos dramaturgos maiores do teatro brasileiro. Não fosse suficiente também considerá-lo um dos nossos grandes romancistas, depois de Guimarães Rosa, com a obra A Pedra do Reino."

João Fonseca, diretor teatral, encenou Auto da Compadecida, O Santo e a Porca e A Pena e a Lei:

"É dono de um universo apaixonante, capaz de unir a cultura popular com uma rara inteligência e uma aguda postura política. Suas comédias eram irresistíveis, inspiradas nas mais clássicas e puras formas de humor. Ia à raiz grega, mas também à raiz nordestina. E sua crítica social permanece, infelizmente, bastante atual. Não resta dúvida de que sua obra irá sobreviver. O Auto da Compadecida é uma de nossas obras-primas."

Sergio Ferrara, diretor da montagem de O Casamento Suspeitoso, em 2011:

"Ariano é um mágico. Perdê-lo é, de certa forma, perder a magia. Ele tinha essa capacidade de olhar a beleza e traduzi-la para nós. Sua obra tem impacto imediato com o público e promove a comunhão entre o teatro, a música e a dança. Sua comédia não é descartável. Ele faz com que possamos rir de nós mesmos, dos nossos defeitos. Inspirado por grandes como Goldoni e Molière, criou tipos populares que tem grande conhecimento e sabedoria. Seu teatro fala de algum em que todos nos reconhecemos. Suas criações traduzem o universo de um povo e o fazem tão bem que acabam se tornando universais." 

Luis Fernando Verissimo, escritor:

"Foi um golpe, depois da morte de João Ubaldo Ribeiro. Suassuna era um ícone da cultura brasileira, um tesouro nacional. Ele conhecia como ninguém as histórias do Nordeste do País, suas figuras..."

Lya Luft, escritora:

"Estamos perdendo muita gente boa, a Academia está sendo devastada. Suassuna era um grande mestre e um dos patriarcas da literatura brasileira. É uma pessoa insubstituível na nossa literatura. Estamos todos de luto"

Antônio Torres, escritor:

“Mais uma morte. A temporada não está boa. Lamento a morte desse grande brasileiro, grande criador. Ele foi um dramaturgo envolvido com a cultura e que trouxe para o primeiro plano a cultura popular, sua grande batalha. Ele batalhou muito contra as inflitrações externas em nossa cultura. Estou com saudades, já.”

Maria Amélia Mello, editora da José Olympio:

“Foi um homem muito fiel às suas ideias, íntegro. Um Dom Quixote incansável, de uma energia surpreendente. Tudo com ele era muito cordial.”

Tânia Rösing, coordenadora da Jornada Literária de Passo Fundo:

“Ariano Suassuna foi uma das mentes mais iluminadas que eu conheci. Pessoas como ele nunca vão desaparecer. Com sua alma e grandeza, ele vivenciou a educação e a cultura trabalhadas em conjunto, o que foi um estímulo a educadores ao mostrar como conseguir a excelência do desenvolvimento cultural e da sensibilidade das pessoas. Ele trouxe a literatura oral medieval para o convívio com a literatura oral do século 20 e conseguiu fazer ouvidos sensíveis entre os surdos culturais."

Socorro Acioli, escritora:

"Eu sempre tive e sempre terei Ariano Suassuna como modelo de escritor e intelectual a seguir. Era um erudito que sabia fazer rir, gargalhar. Coisa rara. Tudo o que li dele, desde o Manifesto do Movimento Armorial, me causou uma emoção ancestral, um orgulho imenso de ser sua vizinha de sotaque. Quando soube de sua morte, fiz questão de rever duas, três vezes o seu vídeo "Funk de Rutheford e Bohr". É assim que quero lembrar dele."

Geraldo Holanda Cavalcanti, diplomata e presidente da Academia Brasileira de Letras:

"Em 21 dias, perdemos três acadêmicos. Sinto muito a morte do Ariano porque frequentamos juntos a Faculdade de Direito do Recife, nos anos 1950, e eu estive presente na primeira encenação de uma peça sua, Uma Mulher Vestida de Sol. Foi um momento histórico, agora sabemos. Ele também é muito reconhecido em vários países, já vi peças de Ariano em alemão na Alemanha, em espanhol na Espanha, e muitas outras línguas. Sua obra tem uma temática universal vista pelos olhos de um escritor regional."

Sérgio Vaz, poeta, pelo Twitter:

"A Vida dói, e sem Ariano Suassuna vai doer mais ainda."

Livia Garcia-Roza, escritora:

"Ariano Suassuna um dos principais nomes da cultura brasileira, foi escritor, dramaturgo e poeta. Sua palavra transbordava. Tinha força, ímpeto, e poesia. Um homem 'vestido de sol'."

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