"Sua Excelência, o Candidato", com Gianecchini

Foi só terminar a novela "Belíssima",em que se consagrou na comédia como o mecânico Pascoal, que oator Reynaldo Gianecchini percebeu que o caminho do riso era ocerto. Melhor ainda se a resposta da platéia fosse imediata,como nos palcos do teatro. Foi o que o convenceu a participar danova montagem da comédia "Sua Excelência, o Candidato", que estréia hoje no Teatro Vivo, em São Paulo. "Eu tinha outro projeto,mas decidi apostar no texto de Marcos Caruso e Jandira Martiniporque continua muito atual", disse. "Trabalhei com diretorescomo José Celso Martinez Corrêa e Gerald Thomas e agora buscoalgo mais popular." De fato, escrito em 1985, o espetáculo que mostra asdesventuras de um jovem candidato a um cargo público se tornouum enorme sucesso de público, iniciando a vitoriosa parceriaentre Caruso e Jandira, que se repetiria em "Porca Miséria" e"Operação Abafa", entre outros. "Queríamos escrever uma tragédia Há algo mais trágico que a política nacional?", questiona adupla, em texto de apresentação da montagem. Não se trata de um projeto oportuno, aproveitando aproximidade das eleições, garante o diretor Alexandre Reinecke."Na verdade, o texto tem a clássica estrutura do vaudeville, ouseja, uma sucessão de enganos até todos mal-entendidos seresolverem. Assim, não se apóia em um momento políticoespecífico do Brasil, mas na categoria política como um todo",explica ele, que conduziu a direção do espetáculo de forma a nãoser identificado nenhum político em particular.Ator se inspira no programa eleitoral gratuito Gianecchini assiste ao programa eleitoral gratuito parase inspirar. "Todos tentam falar de forma articulada, usandomuito frases feitas", diz o ator, que busca criar um personagemsem trejeitos. "Ele se mete em enrascada sem saber os motivos." Sem caricatura - Um dos principais detalhes queGianecchini evitou ao criar seu personagem foi não se parecercom algum político em especial, principalmente com oex-presidente Fernando Collor de Mello. "Isso tem de ser umaregra básica", ensina o também ator Fulvio Stefanini, que viveuo mesmo papel em outra montagem. "A inspiração deve vir de umasomatória de políticos. Ele precisa colocar todos os detalhesque descobre de cada um, colocar no liquidificador e aproveitara mistura." Stefanini acredita que o sucesso da peça se deve aofato de o personagem não apresentar comportamento padronizado."Caso contrário, o ator corre risco de apresentar uma caricatura que é o que não deve aparecer no palco." Para ele, é inevitável que Gianecchini seja comparado aCollor por conta da beleza, mas acredita que o ator tem recursospara, logo nas primeiras cenas, eliminar qualquer semelhança. "Apeça fica melhor se não se identificar nenhum político."Sua Excelência, o Candidato. 100 min. 12 anos. Teatro Vivo(282 lug.). Avenida Chucri Zaidan, 860, (11) 3188-4147. 6.ª, às21h30; sáb., às 21 h; dom., às 18 h. R$ 60. Até 29/10

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