Chad Batka/NYT
Chad Batka/NYT

Strokes dos anos 80

Novo CD tem nuances do álbum solo de Casablancas

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2011 | 00h00

Em 2001, os Strokes atraíram os holofotes nos Estados Unidos com o EP The Modern Age e, posteriormente, com seu primeiro disco, Is This It. Havia quem argumentasse tamanho sucesso pela carência roqueira dos americanos desde o fim do Nirvana, em 1994, após o suicídio de Kurt Cobain. Mas, absolutamente, não se tratava apenas disso, já que o álbum de estreia da banda indie nova-iorquina era impecável e já nascia antológico, da primeira à última faixa.

Depois veio o segundo CD, Room on Fire, que, embora não tenha agradado tanto a crítica norte-americana, manteve a mesma pegada e a qualidade do trabalho anterior, emplacando hits como Reptilia, 12:51e The End Has No End, rendendo um disco de ouro para o grupo nos Estados Unidos. Antes da parada da banda, mergulhada em conflitos de egolatria, com seus integrantes precisando de um tempo para se dedicar a projetos paralelos, o quinteto ainda lançou seu terceiro álbum, First Impressions of Earth, com destaque para a preciosa On The Other Side e as puxadas pra frente Juicebox, Razorblade e You Only Live Once, mesmo assim resultando em um disco irregular, se comparado aos dois primeiros.

Após a pausa dos Strokes, os integrantes tocaram seus projetos, como se esperava. O guitarrista Nick Valensi participou de alguns bons discos de amigos, como Devendra Banhart; o baterista brasileiro Fabrizio Moretti juntou-se a Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, e lançaram disco com o Little Joy; o guitarrista Albert Hammond Jr. jogou no mercado os bons álbuns Yours To Keep e Cómo Te Llama; e o baixista Nikolai Fraiture botou para funcionar seu projeto Kickel Eye, com The Time of Assassins. Mas nenhum deles repercutiu tanto, obviamente, como o disco solo do frontman dos Strokes, Julian Casablancas, intitulado de Phrazes for the Young.

Depois das andanças de seus membros em caminhos distintos, a banda já havia anunciado que Angles teria um processo de composição naturalmente mais participativo de todos os integrantes, ao contrário do que ocorria anteriormente, quando Casablancas concentrava e assumia a concepção dos temas de forma individual.

Em Angles, nitidamente notam-se as influências de Moretti, Valensi, Hammond Jr. e Fraiture, mas os Strokes não conseguiram escapar do que muitos fãs temiam: que o disco tivesse a cara das viagens particulares impostas por Casablancas em Phrazes for the Young - e sua atmosfera de anos 1980 -, ainda que com a competente roupagem instrumental do grupo.

O quinteto ainda tem muita bala na agulha e seu quarto disco tem temas capazes de incendiar qualquer pista de dança, como o primeiro single Under Cover of Darkness (com belo clipe dirigido por Warren Fu) e a faixa que encerra o álbum, o grande destaque, com refrão fácil de gravar, Life Is Simple In Moonlight.

No meio do caminho, sobram composições com cara de anos 1980, como a de abertura, Machu Pichu, Two Kinds of Happiness, Games, e a segunda música apresentada pela banda na internet, You"re So Right (com vocais metalizados que chegam a lembrar Pet Shop Boys), algumas, justiça seja feita, com os refrões pra lá de empolgantes.

Embora se note que os Strokes tenham perdido gradualmente aquela sujeira de rock de garagem em seus timbres e, principalmente, na voz de Casablancas, cada vez mais asséptica, o grupo mostra que ainda sabe fazer temas como Taken For A Fool, Gratisfaction e a sombria Metabolism com a mesma estética de algumas composições de First Impressions of Earth.

Para este ano, os Strokes confirmaram shows de grande porte, como no Madison Square Garden, além de participação em festivais importantes, como o Coachella, o New Orleans Jazz Festival e o South By Southwest (SXSW), nos Estados Unidos, o Bonnaroo, na Inglaterra, e o Summer Sonic, no Japão.

A única vez que o grupo se apresentou no Brasil foi em 2005, no Tim Festival. Depois de tanto tempo, Angles, escorado por uma série de hits antigos dos Strokes, cairia bem nos festivais que ocorrerão por aqui, como o Rock in Rio e o SWU.

Is This It

Disco de estreia, de 2001, é impecável da primeira à última faixa, com hits como Last Nite, The Modern Age e Someday.

Room on Fire

Segundo álbum dos Strokes, de 2003, mantém a mesma pegada quente, com os temas Reptilia, 12:51 e The End Has no End.

First Impressions of Earth

O terceiro CD, de 2006, é irregular, mas salva-se com Juicebox, Razorblade, On The Other Side e You Only Live Once.

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