HBO Max
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Direitos e orgulho LGBT+: entenda a história da luta da comunidade em 9 títulos do streaming

Entre documentários, ficção e biografias, o retrato das conquistas da comunidade LGBT+ através dos anos é mostrado em formatos diferentes

Simião Castro, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2022 | 03h00

Ser LGBT+ é ser subversivo apenas por existir. E chegar ao século 21 precisando reafirmar o óbvio – que a orientação sexual e a identidade de gênero alheia não diz respeito a mais ninguém senão ao indivíduo – é inadmissível.

Mas os esforços fundamentalistas em distorcer os fatos e difamar quem desafia a norma seguem tão profundos que resta um único recurso: informação. Isto porque não há escolha em um dos países que mais mata LGBT+ no mundo.

No Brasil, ocupar espaços, resgatar direitos e construir consciências mais humanas é a fronteira entre viver ou morrer. E há recursos disponíveis. Às vésperas da Parada LGBT+ de São Paulo, veja nove títulos do streaming para ajudar a conhecer, entender e respeitar a batalha pelo orgulho LGBT+.

Desde que o mundo é mundo

Equal, da HBO Max, é um dos mais completos registros da história de reivindicação por direitos igualitários da comunidade LGBT+. Quero dizer, ao menos nos Estados Unidos. A produção oferece um retrato fiel da violência sofrida por LGBT+, mas também das conquistas a duras penas em quase um século.

A série documental busca as raízes do movimento ainda nas décadas de 30 e 40, mas volta muito antes para mostrar que ser LGBT+ não é nenhuma novidade. As histórias na tela fazem refletir sobre a aparente caminhada em círculos que a humanidade sustenta.

Por exemplo, discussões supostamente modernas sobre transexualidade já eram debate nos anos 50 – inclusive na TV. O que apenas evidencia a quantidade de retrocessos enfrentados através das décadas.  São apenas quatro episódios, brilhantemente narrados por Billy Porter – um dos mais magníficos atores contemporâneos da indústria.

Rostos que não podem ser esquecidos

Os capítulos têm média de 40 minutos muitíssimo bem editados e de uma estética primorosa. O documentário traz gravações até então inéditas de eventos emblemáticos para o grupo e, quando não há imagens, reencena os acontecimentos com eficiência e criatividade.

De negativo, a legenda em português merece uma revisão. Há problemas sérios inclusive quanto a designação de gênero, em vários momentos. Ainda assim, imperdível e didático.

 

Vozes retiradas do silêncio

As vidas contemporâneas de pessoas LGBT+ contadas em primeira pessoa. Tão atuais que depoimentos foram colhidos por trás das máscaras de proteção contra a covid. Assim é Falas do Orgulho, no GloboPlay.

O documentário de menos de uma hora foi exibido em 28 de junho de 2021, na Globo. É construído em tom quase trivial, até nos acertar com o peso de uma pedrada inesperadamente. Um choque de realidade.

Representatividade brasileira necessária

O cuidado na escolha dos entrevistados e a diversidade de perfis é exemplar. E a pluralidade de histórias atesta que, assim como em todos os aspectos da sociedade, a comunidade LGBT+ tem muitas cores.

A produção dá voz a figuras inspiradoras que são, sem sombra de dúvidas, a representatividade para uma multidão desacostumada a se ver na tela. É tão bem feita que permite até perdoar a trilha ligeiramente clichê.

Além de estampar o absurdo da LGBTfobia, o documentário também consegue mostrar as várias faces do amor. E, acima de tudo, expressar o básico, que ninguém exige nada mais que o mínimo: respeito.

 

Vida após a morte

A Morte e Vida de Marsha P. Johnson, da Netflix, é o desenho de como são tratadas as vidas de pessoas LGBT+, especialmente as de travestis e transexuais: displicentemente, como seres de segunda categoria, sem direito a dignidade.

Marsha foi uma ativista ícone da comunidade, contemporânea da Rebelião de Stonewallmarco da luta LGBT+ –, que morreu em 1992. O corpo dela foi encontrado nas águas do Rio Hudson, em Nova York, supostamente em decorrência de um suicídio.

O documentário, porém, joga luz sobre outra possível causa, suspeita dos amigos da ativista por muitos anos: um ataque ou crime de ódio. Fundamental.

Um gênio destruído pela homofobia

O Jogo da Imitação é desses filmes que são sobre uma coisa até você perceber que são sobre outra. O roteiro genial mostra um grupo de cientistas liderados por Alan Turing desenvolvendo uma técnica matemática para ajudar a derrotar os nazistas na guerra.

E seria por essa invenção revolucionária que Turing se tornou o pai da computação moderna. Acontece que ele era gay, o que era proibido por lei na Inglaterra à época e ainda é em alguns países hoje em dia.

Descoberto, ele é punido em tribunal com uma crueldade insana e condenado a um fim angustiante. A homofobia leva à destruição de uma das mentes mais brilhantes da humanidade. Revoltante, no HBO Max.

 

Perucas que construíram um Brasil 

Era tudo proibido. Quando a primeira geração de artistas travestis do Brasil subiu ao palco, todo tipo de repressão estava posta no País, mas elas eram resistência muito antes desse termo virar moda.

Com um olhar de pura sensibilidade, Leandra Leal mostra em Divinas Divas a trajetória de oito ícones LGBT+ de um Brasil vintage e glamuroso. Mas também suprimido pelo punho de chumbo da ditadura.

Rogéria, Divina Valéria, Jane di Castro, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios compartilham as próprias memórias. E descortinam a importância dessas vivências para o que viria a ser o movimento LGBT+ brasileiro. Purpurinado na Netflix.

 

 

Ao vivo e em cores

A TV é a cara da LGBTfobia. E isso fica cristalino em Visible: Out on Television, da Apple TV+. O documentário em quatro episódios mostra a necessidade de uma representatividade saudável na mídia. E como levou tempo para algo próximo disso ser realidade nas telas.

Antes, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e qualquer outra letra da sigla era retratada como um estereótipo, na melhor das hipóteses, ou com a mais insolente discriminação, nas piores. Já que a maneira como nos é exibido o mundo influencia em como o pensamos, a série mostra que um mundo diferente é possível. 

 

 

Conto de fadas contemporâneo

Mais recente ficção de temática LGBT+ do mainstream, Heartstopper, da Netflix, já foi destaque no Radar do Streaming. É um conto perfeito, sem medo do adjetivo, que representa tudo que jovens da comunidade desejariam ver na tela.

A série entrega o típico romance de príncipe encantado, exceto que não tem princesa. São dois garotos adolescentes descobrindo o primeiro amor com pais decentes e apoiadores, amigos devotos e um combate intransigente dos preconceitos. Fundamental!

 

Chegadas e partidas

O podcast Passagem só de ida narra histórias de pessoas LGBT+ que migraram para São Paulo atrás de novas oportunidades - parece familiar, né? A diferença, é que muitas dessas migrações é resultado da discriminação sofrida nos lugares de origem.

Produzido pela Casa 1 e Acervo Bajubá, com apoio da Rede MILBI, o podcast tem dez episódios e está disponível nas principais plataformas de áudio. Existe ainda um dossiê multimídia de cada personagem no site da Casa 1. Para se reconhecer ouvindo.

 

Ser LGBT+ para todo mundo ouvir

Fora do meio é um podcast feito por pessoas LGBT+ para todo mundo, mas especialmente para quem não é da comunidade. No típico formato 'mesacast', os episódios tratam da vida da comunidade nas mais diferentes dimensões.

O bate-papo navega desde questões mais cotidianas como relacionamentos até conversas sérias sobre preconceito, saúde mental e visibilidade. Nas principais plataformas de áudio, vale o play.

 

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