Strauss-Kahn volta à França após arquivamento de processo em NY

Após ter suas ambições presidenciais abaladas por um escândalo sexual nos Estados Unidos, o ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn retornou neste domingo à França enfrentando uma fria recepção e mal-estar entre seus aliados políticos.

PAULINE MEVEL E CHINE LABBE, REUTERS

04 de setembro de 2011 | 09h53

Strauss-Kahn chegou ao aeroporto de Roissy Charles de Gaulle por volta de 7 horas (4 horas em Brasília) com a mulher, Anne Sinclair. Policiais escoltaram o casal pelo terminal, passando pelos jornalistas que os aguardavam, e os levaram até um carro.

Bem vestido e sorrindo, o ex-diretor do FMI chegou uma hora depois a seu apartamento na Place des Voges, uma praça chique da cidade. Ele acenou, mas não fez comentários enquanto passava em meio a um mar de flashes da mídia.

"Estou pensando em sua alegria, e de Anne Sinclair, por estarem de volta aqui", disse aos repórteres que estavam na praça o esquerdista Jack Lang, ex-ministro da Educação e Cultura e vizinho do casal. "O que lhe devemos, como socialistas e amigos, é uma recepção calorosa, com amizade e alegria."

Mas um outro pedestre falou a uma altura suficiente para ser ouvido por Strauss-Kahn e Anne Sinclair quando estavam no pátio do prédio onde moram. "Você é uma criatura repulsiva, vá se curar em algum outro lugar."

A volta para casa marca o fim de uma batalha de três meses no sistema da Justiça criminal de Nova York depois que ele foi acusado de tentar estuprar uma camareira em um hotel de Nova York. O caso foi arquivado porque a credibilidade dela foi posta em dúvida pela promotoria.

Os aliados de Strauss-Kahn em seu partido Socialista demonstraram satisfação com a retirada das acusações contra um homem antes considerado possível favorito para vencer a eleição presidencial da França em 2012, mas os danos à sua imagem tornam seu futuro incerto.

A chocante prisão em meados de maio de Strauss-Kahn, ex-ministro das Finanças e um dos mais talentosos especialistas em economia na França, mergulhou o panorama político do país em um turbilhão e forçou o partido Socialista, principal partido de oposição, a buscar candidatos alternativos.

Muitos dos antigos partidários dele se reposicionaram em favor de François Hollande, que lidera as pesquisas de opinião para as primárias do partido, ou por sua rival, Martine Aubry. Ainda assim os aliados de Strauss-Kahn dizem que ele está destinado a ter um papel importante no futuro, seja contribuindo na campana eleitoral dos socialistas ou assumindo um cargo num futuro governo da esquerda.

Outros o veem optando por um papel numa instância europeia ou internacional, considerando sua experiência na liderança do FMI em meio à crise financeira mundial de 2007-2009.

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