STRAUSS ABRE TEMPORADA

Poemas sinfônicos do compositor dão início e encerram concerto da Osesp com a regente titular Marin Alsop

JOÃO MARCOS COELHO , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2013 | 02h13

É com muitos fogos de artifício musicais, ideais para levantar plateias de todo tipo, que a Osesp dá a largada hoje, na Sala São Paulo, em sua temporada 2013. Ao todo, serão 33 semanas de concertos de assinatura com a Osesp, que conviverá em 11 delas com a regente titular Marin Alsop. Hoje, ela tem como convidado o celebrado pianista francês Jean-Yves Thibaudet, que solará dois concertos: em sol maior de Ravel e uma obra contemporânea, The Shining One, miniconcerto que Guillaume Connesson dedicou ao pianista em 2009. Abrindo e fechando a noite, dois poemas sinfônicos de Richard Strauss: Till Eulenspiegel e Assim Falou Zaratustra. No domingo às 11 h, no Parque da Independência, Marin e a Osesp repetem Till Eulenspiegel de Strauss e interpretam a Quinta Sinfonia de Beethoven.

As obras de Strauss e Ravel são muito conhecidas. O primeiro elevou ao clímax o gênero do poema sinfônico, praticamente "inventado" por Liszt para explodir a engessada estrutura do gênero sinfônico. Richard Strauss tinha 31 anos quando compôs Till Eulenspiegel e 32 quando escreveu Assim Falou Zaratustra, em 1895/6. No primeiro, faz a ação determinar o rumo da música, que deliciosamente passeia pelos vários timbres da orquestra. O segundo, Strauss compôs "livremente a partir de Nietzsche". E esclareceu: "Quis traçar um quadro do desenvolvimento da raça humana desde as suas origens..., até a concepção nietzschiana do Super-Homem". Não foi à toa, portanto, que Stanley Kubrick o utilizou em seu igualmente celebrado filme 2001 - Uma Odisseia no Espaço, em 1968.

De fato, Strauss abre uma incrível fábrica de escritura sensacional para orquestra, deslumbrando nossos ouvidos. Igual direção assumiria seu ilustre contemporâneo, o francês Maurice Ravel, outro mago da orquestração. O Concerto em Sol Maior, que Thibaudet sola hoje, é obra de sua maturidade, de 1931. Ravel pratica uma escrita cheia de filigranas, ora rememorando Mozart, ora flertando abertamente com o jazz que conhecera poucos anos antes, quando, em NY, foi ao Harlem ouvir o jazz negro acompanhado por seu amigo George Gershwin.

Estas três obras desfrutaram de imenso sucesso logo em suas estreias, porque uniam uma fatura consistente com linguagens acessíveis. A mesma mágica é capaz de operar hoje o francês Guillaume Connesson, de 42 anos, autor do concerto The Shining One, ou o iluminado, que Thibaudet sola logo depois de Ravel. Ele é esnobado pelas tribos parisienses mais radicais, mas segue impávido seu caminho pós-moderno. Define seu som como "um complexo mosaico do mundo contemporâneo", incluindo world music, música popular, de cinema, influências dos minimalistas, das harmonias francesas de Ravel e Debussy, mas também de Dutilleux, do poder encantatório da obra de Penderecki, etc. As referências, assim como as aspas, estão no texto do encarte do CD assinado pelo regente Stéphane Denève, responsável pela primeira gravação da obra (CD Chandos, 2010).

Como os poemas sinfônicos de Strauss, The Shining One inspirou-se numa obra literária. No caso, em The Moon Pool do norte-americano Abraham Merritt. O concerto de 9 minutos embute três movimentos: o primeiro mostra a beleza do iluminado; o segundo evoca o choro dos mortos; e o terceiro é uma dança selvagem. Não se assuste com as semelhanças entre o concerto de Ravel e o de Connesson, sobretudo as do início, com os trinados do piano na região aguda. As obras têm mesmo muito em comum.

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